''É a minha palavra contra a dela''

Entrevista - Lina Maria Vieira: ex-secretária da Receita Federal; Ela sustenta que esteve com Dilma, quando teria recebido pedido para ?agilizar? as investigações sobre Fernando Sarney

Renato Andrade, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

12 de agosto de 2009 | 00h00

Apesar das negativas do governo, a ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira insiste em que esteve reunida com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quando teria recebido o pedido para "agilizar" as investigações envolvendo Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. De sua casa em Natal (RN), Lina disse ao Estado que não tem provas concretas de seu encontro com a ministra no final do ano passado. "O que eu tenho é a minha palavra contra a dela", disse. A ex-chefe do Fisco afirmou que ninguém do governo a procurou depois de suas declarações. Ela disse ainda que não sabe se poderá ser alvo de represálias. Lina, que tratou do assunto inicialmente em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, deixou claro que está disposta a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, mas a bancada governista no Senado acredita ter neutralizado todas as chances de a oposição conseguir convocá-la. Ontem, durante depoimento do secretário interino da Receita, Otacílio Cartaxo, à CPI, a bancada governista rechaçou todas as ponderações feitas pela oposição para que Lina fosse ouvida. A própria oposição admite que provavelmente será derrotada e tentará convocar a ex-secretária da Receita Federal em um outro fórum de discussão, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Os governistas, porém, avaliam que isso não terá o mesmo impacto de um depoimento de Lina dentro de uma CPI. A senhora tem alguma prova ou registro em agenda, pelo menos do encontro com a secretária executiva da Casa Civil, que fortaleça a sua posição? O que eu tenho, como disse, é a minha palavra contra a palavra da ministra. Eu estive lá, foi o que declarei à Folha, exatamente aquilo. Eu disse inclusive que não iria atrás de provas, é a minha palavra contra a dela. É verdade o que eu disse a eles, na verdade eu só fui confirmar investigações que eles já tinham, e eu confirmei. Não seria importante procurar algum tipo de prova? Mas o que tem isso... Eu acredito ainda que a palavra da pessoa e a história da pessoa valem. Eu estive lá a convite da ministra, não tirei foto, eu não gravei, foi somente isso. Eu reitero o que disse. A secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, foi à Receita para pedir esse encontro da senhora com a ministra? Correto. Existe registro desse encontro? A secretária que estava lá viu, e ficou registrado, ela viu a entrada e saída. Isso está registrado na agenda? Não tem registro, não foi feito, as pessoas é que viram. Eu só queria que você compreendesse...em relação a isso tudo, eu mantenho o que disse. O que eu disse é aquilo que está lá e eu não tenho mais a acrescentar. A senhora teme algum tipo de represália? Olha, eu não sei. Eu já me afastei das minhas atividades, estou de licença, e não sei o que pode acontecer. Alguém do governo a procurou depois de suas declarações? Não. A senhora espera ser convocada para depor na CPI da Petrobrás? Não sei o que eles vão decidir. Convidada ou convocada, eu lá estarei. A senhora tem alguma coisa que pretende apresentar na comissão?Não. Vou responder o que me perguntarem, preservando o sigilo fiscal. COLABOROU MARCELO DE MORAES

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