Dutra torna-se articulador nas negociações da CPI da Petrobras

Presidente da BR Distribuidora, petista irá conversar com líderes da oposição e dará consultoria a ministros

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

19 de maio de 2009 | 18h16

O petista José Eduardo Dutra, presidente da BR Distribuidora, ganhou status de principal articulador do governo nas negociações da CPI da Petrobras. A pedido do Planalto, ele irá conversar com líderes da oposição e dará consultorias a lideranças e ministros. Nesta terça-feira, 19,, ele discutiu com o ministro de Relações Institucionais, José Múcio, estratégias que serão adotadas pelos aliados nos trabalhos da comissão. O encontro ocorreu no Centro Cultural Banco do Brasil, sede temporária da Presidência.

 

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Desta vez, a oposição não poderá questionar o governo por escolher um militante sem experiência na área para participar das negociações. Além de presidir a estatal de petróleo de janeiro de 2003 a junho de 2005, Dutra tem no currículo a atuação em CPIs históricas no período em que foi senador, de 1995 a 2003. Ao lado da ex-senadora Heloísa Helena e do senador Eduardo Suplicy, Dutra foi uma das estrelas petistas que ganharam fama no bloco de oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso e nas CPIs dos Precatórios (1996-1997), dos Bancos (1999), do Judiciário (1999) e do Futebol (2001).

 

Foi no comando de Dutra que a Petrobras, segundo a publicidade do governo, demonstrou que a privatização não é o melhor caminho para as estatais. O discurso da campanha de Lula em 2006 de que os tucanos queriam privatizar a companhia que acumulou lucros nos últimos anos já está sendo divulgado pelos ministros e lideranças do governo nas entrevistas e discursos.

 

A CPI dos Bancos ficou marcada por discursos inflamados do então senador José Eduardo Dutra, que acusava o Planalto de tentar uma "operação abafa". "A corrupção moderna é muito mais danosa aos interesses públicos e começa com vazamento informações e tráfico de influência", afirmou à época. Do outro do front, na defesa do governo tucano, estava o senador Romero Jucá. Hoje, o homem que rebatia as acusações dos petistas é aliado do presidente Lula e companheiro de Dutra na "tropa de choque" do governo.

 

Em entrevista no CCBB, o ministro José Múcio evitou dar detalhes sobre a conversa com Dutra. "Ele tinha uma agenda em Brasília e combinamos uma conversa hoje bem cedo", disse Múcio. "Ele (Dutra) perguntou se os membros da CPI estavam indicados, quem ia ser presidente e relator."

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