Dutra tenta emplacar seu nome para comandar PT

Gilberto Carvalho diz que está fora da disputa para presidir o partido

, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

Após meses sob pressão da cúpula petista, o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, enterrou ontem as últimas especulações sobre uma possível candidatura à presidência do PT. Em discurso numa reunião da corrente Construindo um Novo Brasil, grupo de apoio de Lula no partido, Carvalho agradeceu o apoio. Mas reiterou que o presidente quer mantê-lo no Planalto, para ajudar nos preparativos da eleição de 2010."Eu trabalho com o presidente e a avaliação dele era fundamental nesse processo. E ele avaliou que seria mais conveniente eu ficar lá", disse, ao chegar à reunião, dando a linha do discurso que faria em seguida. A resposta do chefe de gabinete abriu espaço para os planos do presidente da BR Distribuidora, ex-senador José Eduardo Dutra, de emplacar seu nome na vaga. Apoiado pelo presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), com o aval de Lula, Dutra ainda terá de convencer setores da corrente a aceitarem a candidatura. A expectativa era de que essa discussão ocorresse ontem, mas o assunto acabou sendo empurrado para a etapa de hoje da reunião. Ontem, enquanto Berzoini afirmava que Dutra é agora o nome "mais provável" e pedia uma definição o quanto antes, outros membros da corrente demandavam mais tempo. "Eu prefiro esperar", comentou o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que mencionou ainda o nome do assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, para a vaga. "Acho prematuro. Acho que deveríamos consultar outras forças", completou Dirceu. Apesar de o assunto não ter entrado formalmente no debate, alguns participantes questionavam pelos corredores a capacidade de Dutra de angariar apoio em outras correntes e garantir uma vitória folgada do grupo nas urnas petistas. Durante a reunião, tanto Garcia como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, foram abordados com pedidos para que aceitassem se candidatar. Dulci foi o primeiro a recusar a incumbência. Garcia, por sua vez, disse que o partido tem outros "nomes muito bons". "Nunca diga nunca, mas estou muito bem nas minhas funções no governo." Uma candidatura de Garcia também dependeria de uma reinterpretação do estatuto petista, que impõe um limite para a ocupação de mandatos sucessivos na Executiva do partido. Dutra, entretanto, não disfarçou o entusiasmo com a decisão de Lula. "O presidente realmente deu a palavra final de que não vai liberar o Gilberto e, com isso, meu nome passa a ser um dos discutidos."Carvalho era apontado por coordenadores da corrente como o melhor nome para unificar a sigla. Apesar da resposta negativa do chefe de gabinete, alguns petistas ainda tentavam emplacar ontem a tese de uma chapa única ou ao menos majoritária na eleição interna, entre eles o líder na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), e o deputado José Genoino (SP). Vaccarezza, que esteve no encontro apesar de pertencer a outra ala, disse querer uma chapa que reúna 70% ou 80% do PT.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.