Dutra recebe do PC do B propostas divergentes do programa de Dilma

Presidente do PT ouviu de líder comunista reivindicações sobre capital especulativo, câmbio, jornada de trabalho e salário mínimo

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo,

09 de novembro de 2010 | 19h59

BRASÍLIA - Quarentena sobre capital especulativo, câmbio "sujo", jornada de trabalho de 40 horas semanais sem redução de salário e aumento real para o mínimo em janeiro de 2011 são as principais propostas que constam da carta encaminhada nesta terça-feira, 9, pelo comando do PC do B à presidente eleita, Dilma Rousseff. As sugestões, principalmente na seara econômica, divergem do programa de Dilma para os próximos quatro anos.

 

A presidente eleita já disse mais de uma vez que vai manter os três pilares da economia: superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação. "Não existe mais essa história de câmbio flutuante livre. Há também o câmbio sujo", afirmou o presidente do PC do B, Renato Rabelo. "Nenhum país do mundo deixa tudo por conta do mercado."

 

Rabelo manifestou a preocupação sobre os rumos da economia durante reunião com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, quando o PC do B reiterou que gostaria de manter o Ministério do Esporte sob seu comando. Dutra passou o dia e um pedaço da noite de ontem recebendo reivindicações de aliados de primeira hora, daqueles que se uniram à coalizão no último minuto e até de quem não apoiou Dilma.

 

O PTB, por exemplo, que integrou a aliança de José Serra (PSDB), está agora de olho no Ministério do Turismo. "Existe a tendência de o PTB reivindicar o Turismo, sim. Uma coisa é o partido, que ficou com Serra, e outra, os parlamentares. A maioria apoia o governo Lula e vai apoiar Dilma", disse o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

 

Medidas paliativas. As declarações que mais chamaram a atenção ao longo do dia, porém, foram mesmo as de Rabelo. Na avaliação do comunista, não passam de "paliativas" as medidas tomadas até agora pelo governo Lula, na tentativa de fechar brechas encontradas por estrangeiros para driblar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

 

"Nossa moeda, em relação ao dólar, está sobrevalorizada em 20% e o yuan chinês está desvalorizado em 40%. Uma situação como essa não pode persistir", insistiu o presidente do PC do B.

 

Dutra ouviu as queixas de Rabelo e prometeu enviar o diagnóstico do PC do B para Dilma. Na campanha presidencial, o comunista também externou as mesmas aflições, que, apesar de defendidas pela cúpula petista, não foram incorporadas ao programa de governo.

 

O comando do PC do B pede agora a Dilma que adote um "programa imediato" para enfrentar "questões candentes", como o impacto da guerra cambial no Brasil. "É preciso um esforço adicional para a queda da taxa de juro, a mais alta do mundo", emendou Rabelo.

 

Na lista das reclamações, o presidente do PC do B incluiu a indefinição sobre o aumento real para o salário mínimo e o impasse relativo ao projeto do pré-sal, que, na sua visão, está "perdido no Congresso". Além disso, Rabelo considerou "prematura" a defesa da volta de um imposto para a saúde, nos moldes da CPMF.

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