Dutra: governo não vai se submeter a blocos partidários

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, interlocutor junto à presidente eleita, Dilma Rousseff, na equipe de transição de governo e de montagem do ministério junto aos partidos aliados, reagiu hoje com veemência ao tomar conhecimento de que o PMDB, PP, PTB, PR e PSC montaram um bloco parlamentar com 202 deputados. "Pelo que sei, o Brasil tem um regime presidencialista. Quem manda é o presidente. Neste caso, quem vai decidir será a presidente Dilma Rousseff e não blocos partidários", disse Dutra, irritado. "Isso é uma coisa que ocorre lá no Congresso. O governo não vai se submeter a isso".

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

16 de novembro de 2010 | 20h04

Com o acordo, os partidos ganharam força para reivindicar mais espaço no governo, justamente no momento em que Dutra está empenhado em negociar com os aliados o quinhão de cada um, já tendo até entregue a Dilma uma listas com os pedidos. Em seguida, e depois de refletir um pouco, Dutra resolveu fazer uma declaração conciliadora. Para ele, os blocos são formados no Congresso porque assim os partidos ficam mais fortes nas comissões e em outros cargos exclusivos da Câmara. "É legítima e natural a formação de blocos entre os partidos aliados no Congresso, porque é uma prerrogativa de cada um deles".

Dutra lembrou que está trabalhando duro nas negociações com os partidos, para evitar o surgimento de crises. Ele afirmou ainda que não foi fechado nenhum acordo com o PMDB para a partilha das presidências da Câmara e do Senado. Pelo sistema de partilhas, PT e PMDB dividiriam o poder nas duas casas, repetindo acordo feito na Câmara há quatro anos, que permitiu primeiro a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e, posteriormente, a de Michel Temer (PMDB-SP).

Estudos

A equipe de transição de Dilma Rousseff começará a ouvir, na quinta-feira, especialistas em temas que foram tratados durante a campanha. O primeiro encontro para estes estudos tratará da erradicação da pobreza, tema abordado por Dilma com insistência. "Vamos ouvir especialistas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e da Fundação Getúlio Vargas para ver se é possível erradicar a pobreza e como fazer isso", disse o presidente do PT. Depois, serão feitas rodadas sobre segurança pública e sobre saúde.

Com base nos estudos de especialistas, Dilma Rousseff quer estabelecer o programa de atuação de cada ministério, independentemente do partido para o qual será entregue na partilha entre os aliados. Ao mesmo tempo, ela receberá na Granja do Torto, onde vai morar até a posse, pessoas ligadas a determinado setor do atual governo. Durante o dia, ela recebeu dados de como está o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área dos transportes.

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