Dutra envia dirigentes ao MA para verificar possíveis atos de Roseana Sarney

PT quer averiguar se petistas receberam suborno ou foram assediados por emissários da governadora para retirar o apoio ao deputado Flávio Dino (PC do B-MA)

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

24 Maio 2010 | 19h57

BRASÍLIA - Por ordem do presidente do PT, José Eduardo Dutra, dois dirigentes nacionais do partido embarcarão para o Maranhão, nos próximos dias, com a tarefa de verificar se petistas receberam suborno ou foram assediados por emissários da governadora Roseana Sarney (PMDB) para retirar o apoio ao deputado Flávio Dino (PC do B-MA).

 

Roseana é candidata a novo mandato e Dino quer concorrer à sucessão da governadora. Em março, a seção maranhense do PT decidiu fechar aliança com Dino, contra a vontade do Palácio do Planalto e da cúpula do partido. De lá para cá, porém, o PT do Maranhão dividiu-se ainda mais e seus dirigentes acabaram protagonistas de um jogo de interesses, com pressão de todos os lados.

 

Reportagem da revista Veja, publicada no fim de semana, mostra que quatro petistas admitiram ter recebido oferta de propina do grupo de Roseana - em valores que variavam de R$ 20 mil a R$ 40 mil - para aderir à campanha da governadora.

 

"Vamos apurar os fatos e ver se essa denúncia procede", afirmou Dutra, que escalou o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (SP), e o de Organização, Paulo Frateschi, para ir ao Maranhão. "Se houver indícios de irregularidades, podemos abrir processo na Comissão de Ética."

 

Na prática, a cúpula do PT tenta a todo custo evitar mais confusão para blindar Dilma Rousseff, candidata do partido ao Palácio do Planalto, e impedir que a crise no Maranhão seja explorada pelos adversários.

 

Embora Frateschi tenha divulgado ofício, na semana passada, determinando que o PT do Maranhão não realizasse seu encontro extraordinário, o diretório estadual ignorou a ordem e fez a reunião, na sexta-feira e no sábado, como estava previsto. No encontro, os petistas não só referendaram o apoio a Flávio Dino como escolheram como vice da chapa a ex-secretária do Trabalho, Terezinha Fernandes, e, como candidato ao Senado, o advogado Bira do Pindaré.

 

Todas essa decisões devem ser refeitas pelo Diretório Nacional na reunião marcada para 11 de junho, às vésperas da convenção do PT que oficializará a candidatura de Dilma, no dia 13, em Brasília.

 

Cabe ao Diretório dar a última palavra sobre coligações regionais e a tendência é a cúpula do PT enquadrar tanto a seção do Maranhão como a de Minas Gerais, em nome da aliança nacional com o PMDB, que sustenta Dilma. Trata-se, na prática, de uma intervenção branca, autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mandou os petistas descascarem o "abacaxi" para acalmar o PMDB.

 

"O senador Sarney tem uma obsessão: quer se apossar do PT de qualquer jeito, mas nós não vamos permitir", insistiu o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), numa referência ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pai de Roseana. "Só na ditadura as vontades são impostas", emendou o comunista Dino, que promete recorrer à Justiça caso o comando nacional do PT obrigue o diretório maranhense a retirar o apoio a ele para aderir à campanha de Roseana.

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