Durante feriado, Renan prepara discurso de defesa

Presidente do Senado quer, em uma última tentativa, convencer colegas a salvar seu mandato na quarta

Cida Fontes, do Estadão

06 Setembro 2007 | 18h11

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai aproveitar o feriado em Alagoas para preparar o discurso de defesa que fará na próxima quarta-feira durante o seu julgamento pelo plenário do Senado. A sessão secreta está marcada para as 11 horas e será presidida pelo senador petista Tião Viana (AC), primeiro vice-presidente.  Veja também:  Veja a cronologia do caso Renan Íntregra do relatório que pede a cassação de Renan  Entenda as três frentes de investigação contra  A idéia de Renan é fazer um discurso contundente na última tentativa de convencer os colegas e salvar seu mandato. Ele não decidiu ainda se dividirá o tempo da defesa com o advogado Eduardo Ferrão. Com três quilos a mais, Renan disse nesta quinta que está tranqüilo e repetiu que não se afastará da presidência em troca da manutenção de seu mandato."Se eu não me afastei durante o processo não será agora", afirmou. A hipótese de Renan deixar o cargo antes mesmo do julgamento foi defendida pelo senador Gilvan Borges (PMDB-AP), um dos integrantes de sua tropa de choque. Mas senadores próximos a Renan preferem não reforçar essa posição. Acreditam que ele ficou sem condições de voltar atrás e agora vai correr todos os riscos. De sua parte, Renan tenta ampliar os votos a seu favor. Nesta quinta, ele se reuniu com o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), para fazer um balanço da situação, já que não tem unanimidade em seu próprio partido. Para o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que faz oposição a Renan, a decisão sobre o destino do peemedebista "está nas mãos do governo e do PT". Com 12 senadores, a bancada petista está dividida e seus três representantes no Conselho de Ética votaram contra Renan, aumentando o clima de apreensão e desconfiança para a votação do plenário que será secreta. Na realidade, os senadores vivem um dilema e sentem-se constrangidos em julgar o presidente do Senado. Alguns senadores da oposição já admitem reservadamente que, se Renan deixar o comando da Casa, poderia conquistar mais apoio e até salvar seu mandato. Mas, na avaliação de aliados de Renan, se absolvido, ele próprio se encarregará de reconstruir o clima político amistoso que existia antes de seu envolvimento em denúncias. Não é o que pensa a oposição. Muitos senadores avaliam que, mesmo absolvido, o senador fique sem condições políticas para se manter no cargo, já que ficará sem credibilidade e sem uma parcela significativa do plenário a seu lado. Além disso, entendem que as pressões da opinião pública não vão cessar. Para o governo, ter um presidente enfraquecido no comando do Senado também é desaconselhável e um eventual clima de tensão poderia prejudicar as votações. O objetivo do Planalto é retomar o clima de entendimento para a votação da prorrogação da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF) que deve chegar ao Senado em outubro. Já Renan conta com o esvaziamento da tensão. E mostra otimismo: "Temos pesquisas dizendo que esse assunto saturou e a TV Senado já perdeu 7% de audiência", observou. " Ninguém se submeteu a uma devassa como eu nestes 103 dias", queixou-se. Renan acusou "setores da oposição" de tentarem fazer "um cavalo de batalha", mas preferiu não citar nomes para não se indispor com os colegas que vão julgá-lo na semana que vem. Quatro processos Nesta quinta, o PSOL  protocolou na Mesa Diretora do Senado representação do partido contra o presidente da Casa, para investigação desta nova denúncia.   Esta é a quarta representação que o presidente do Senado enfrentará no Conselho de Ética. Destas, três foram pedidas pelo PSOL e uma, pelo PSDB e DEM. A primeira representação enfrentada por Renan - e que pede a cassação do mandato dele - investiga se o senador teria tido contas pessoais pagas por um lobista. Essa representação, aprovada no Conselho de Ética na última quarta, será votada na próxima quarta-feira no plenário do senado.  Renan é acusado também de beneficiar a cervejaria Shincariol, que comprou uma fábrica falida de sua família, e de ser dono oculto de duas emissoras de rádio em Alagoas. Cassação  Na última quarta, o Conselho de Ética aprovou na  o parecer que pede a cassação do senador. Na próxima semana, é a vez do plenário votar, em sessão e voto secreto. Em entrevista a rádios nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o voto aberto no caso.  "Nem é importante dizer se sou a favor ou contra ao voto secreto". "Por mim, da mesma forma que falava como oposição, se tivesse numa comissão qualquer votaria e diria o que estava votando, inclusive no processo contra Renan", afirmou.  Renan voltou a afirmar que não deixará a presidência do Senado. Não saio absolutamente. Fui eleito para cumprir um mandato de dois anos e só a decisão do plenário encurtará esse mandato. Fora disso não há hipótese", disse Renan.

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