Duque diz se interessar só pelo ''feijão com arroz''

?Meu estilo é atender ao povo?, afirma aliado de Sarney

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

20 de julho de 2009 | 00h00

Depois de contar que aprendeu a fazer política com o ex-governador Chagas Freitas, o senador Paulo Duque (PMDB-RJ), de 81 anos, atual presidente do Conselho de Ética da Casa, declara: "Sou chaguista mesmo. O meu estilo é atender ao povo. Atendo muito. Minha preocupação principal não é com grandes cargos na Petrobrás, é o feijão com arroz: cuidar da bica d?água, de internar quem precisa, de nomeação de gari. Dou valor a isso."Duque conversou com o repórter no fim de semana, que passou com a família, "numa boa", como declarou. Saiu pouco do apartamento onde vive há 30 anos, na esquina da rua Cruz Lima com a Praia do Flamengo, na zona sul do Rio. Na tarde de sábado, desceu sozinho do sétimo andar e pegou um táxi na porta do prédio para "comprar jornais de São Paulo" numa banca do centro. Disse estar impedido de falar sobre o presidente do Senado e colega de partido, José Sarney (AP), mas comentou as denúncias e o discurso em que Sarney afirmara existir uma "campanha pessoal iniciada pelo Estado" contra ele."Não posso afirmar que haja, mas é estranho. Nunca vi uma campanha tão séria. É todo dia, é a filha, o filho, é o genro, o neto, o papagaio, nunca vi isso. Vamos ver. Confesso que não sei por que esse bombardeio, que está pegando em mim sem necessidade", disse. Ressalvou que não era membro do conselho quando, há quase dois meses, respondendo a um discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS) em que ele pedia o afastamento do presidente do Senado, discordou e disse que "não via motivo" para isso.Aos domingos, o senador costuma almoçar no restaurante do Hotel Argentina, na mesma rua onde mora com a mulher, Consuelo, que foi vereadora em Maricá. Duque é bem conhecido na rua. "Ele já tirou meus documentos quando fui roubada. E me deu dinheiro para comprar óculos. Foram R$ 260. Eu falei o valor e ele me deu o dinheiro na mão. Já votei e gosto muito dele. É gente fina, humilde e tem bom coração", conta a telefonista Rosa Maria Oliveira da Silva, de 53 anos, moradora da Mangueira, que trabalha há 25 no hotel.O pessoal conta que, graças ao senador, o ponto de táxi da rua foi regularizado. O presidente da Associação de Táxi Cruz Lima, Jorge Moisés, desconversa: "O senador usa o nosso serviço, nem tem carro oficial. Falam isso porque ele senta e conversa com a gente. É uma amizade de 30 anos, mas briguei para ter esse ponto." Duque não esconde: "Eu consegui o ponto."Das realizações políticas, o senador - que foi um defensor da fusão dos Estados da Guanabara e do Rio - destaca o trabalho pela emancipação de dez municípios do Rio. Sem disputar eleição desde 1994, encerrará seu mandato em 2010. Foi segundo suplente na chapa de Sérgio Cabral Filho (PMDB) ao Senado em 2002. Eleito governador em 2006, Cabral levou seu primeiro suplente, Regis Fichtner, para a Casa Civil. Agora, Duque pensa em disputá-la mesmo, no voto. Hoje, será homenageado pela Força Aérea Brasileira. "Fui cadete. Ajudei muito a FAB...".

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