Duque decide hoje sobre Virgílio e diz não saber de 'acordão'

Presidente do Conselho de Ética afirma que ação do PMDB é muito mais fundamentada que as da oposição

Carol Pires, AE

12 de agosto de 2009 | 13h48

O senador e presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), irá examinar na tarde desta quarta-feira, 12, a representação que o PMDB, seu partido, protocolou contra o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Duque disse que seu parecer está pronto, mas que não irá adiantá-lo. Além disso o presidente do Conselho de Ética garante que não participou de nenhum acordo paralelo, respondendo perguntas de jornalistas sobre o possível 'acordão' que governo e oposição já teriam feito para dar fim a crise.

 

Além de Paulo Duque, outros senadores afirmaram que não existe um acordo entre oposição e governo para dar fim a crise. Aloizio Mercadante,(PT-SP) líder da bancada petista no Senado, desmentiu na manhã desta quarta-feira em programa da emissora de televisão Globo News que haja tal acordo. Na mesma linha seguiu Romero Jucá (PMDB-RR), que disse não haver "acordo" e sim "entendimento para que a discussão possa fluir".

 

 

A oposição também se manifestou sobre o tema. Tasso Jereissatti (PSDB-CE) garante que seu pedido de desculpas pela discussão que protagonizou juntamente com Renan Calheiros (PMDB-AL) em plenário na semana passada, não é um indício de que o 'acordão' exista. "A possibilidade de um acordo na base do toma lá dá cá é zero, nenhuma",disse o tucano.

 

 

Mesmo com a negativa de ambos os lados sobre a existência do acordo, os discursos na terça-feira, 11, foram em tom mais ameno. Além do pedido de desculpas de Tasso, Sérgio Guerra (PSDB-PE) afirmou que é preciso evitar adjetivos e moderar as palavras. Virgílio classificou o discurso de Tasso como "de alto nível", enquanto líderes do governo viram tudo e não partiram para bate-boca com os opositores. O DEM, por sua parte, admitiu que os partidos fizeram "um esforço tático" para superar um nível de tensão que eles classificaram como "insuportável".

 

A denúncia

 

Paulo Duque afirmou que a denúncia peemedebista contra Arthur Virgílio é mais bem fundamentada juridicamente do que as onze registradas pelo PSDB e PSOl contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP),e que foram arquivadas na semana passada.

 

O PMDB acusa Arthur Virgílio de ter mantido, por 18 meses, o pagamento de um servidor de seu gabinete que estava estudando na Espanha. O tucano prometeu devolver mais de R$ 210 mil aos cofres da Casa para ressarcir o Senado das despesas com esse servidor.

 

A representação contra Arthur Virgílio foi encaminhada pelo PMDB na última quinta-feira, 6. Na representação, lida em Plenário pelo líder do partido, Renan Calheiros (PMDB-AL), é pedida a cassação do mandato do senador tucano por quebra de decoro parlamentar, por ter "praticado clientelismo" e provocado prejuízos aos cofres públicos. Entre as acusações, está a de ter autorizado servidor comissionado de seu gabinete a se afastar do trabalho para estudar e morar no exterior, sem prejuízo da remuneração paga pelo Senado.

 

A utilização de recursos do Plano de Saúde Parlamentar acima dos limites permitidos no tratamento de pessoa de sua família, bem como o "recebimento de doação" do ex-diretor-geral do Senado Federal Agaciel Maia, para pagamento de gastos dele e de sua família em Paris, também foram mencionados na representação do PMDB contra Arthur Virgílio.

 

Como não haverá reunião do colegiado nesta quarta-feira, Duque deve encaminhar seu despacho à Secretaria Geral da Mesa, conforme informou.

 

Duque também informou que o Conselho de Ética se reunirá na próxima semana para decidir sobre todos os recursos interpostos contra sua decisão de, na semana passada, arquivar todas as denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney.

 

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