''Droga legal-já'' é inútil, diz Gabeira

Candidato do PV a prefeito recua da defesa da descriminação da maconha na quarta sabatina do Grupo Estado

Luciana Nunes Leal e Adriana Chiarini, RIO, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2008 | 00h00

Defensor histórico da legalização da maconha, o candidato do PV à Prefeitura do Rio, deputado Fernando Gabeira, reconheceu ontem que essa bandeira afasta parte dos eleitores e considerou "inútil" uma discussão agora sobre o assunto sem uma ampla reforma da polícia. Convidado do quarto dia de sabatinas do Grupo Estado com os concorrentes à prefeitura, Gabeira, aliado no PSDB no Rio, que indicou o candidato a vice, criticou a atuação dos tucanos na oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. "Não considero dos melhores o desempenho do PSDB", declarou. O parlamentar verde também defendeu que parte da Guarda Municipal seja armada e que haja ação da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas no combate ao crime na cidade.Gabeira disse que é a favor da descriminalização da maconha, "desde que se tenha uma polícia avançada" e que, "neste momento", não retomaria o discurso da legalização. Segundo ele, as pesquisas mostram que "há uma cota de preconceito, de rejeição" entre os eleitores especialmente por sua postura em relação às drogas. Sobre outros temas polêmicos, como a união civil de homossexuais, o candidato acredita que "houve muitos avanços"."A questão das drogas é muito complicada. As pessoas não têm o horizonte da discussão sobre legalização ou não e acho que têm razão. A discussão sobre legalizar ou não foi um pouco inútil. Hoje considero que perdi a energia", afirmou.Para ele, a polícia não é capaz de atuar satisfatoriamente nem na repressão às drogas nem na fiscalização das novas regras, no caso de legalização. "A legalização ou proibição não se efetiva no Rio de Janeiro. O problema central é reformar a polícia. Se não tiver a polícia treinada, eficaz, transparente e honesta, não consegue nem reprimir nem legalizar. A repressão é extremamente minada pelo processo de corrupção e, no caso de legalização, não conseguiria conter os efeitos colaterais."O candidato lembrou que em países como a Holanda, onde o consumo de maconha é permitido em alguns lugares, há um controle permanente dos usuários, inclusive com câmeras instaladas nos bares. "A Holanda não é um liberou geral."VOCAÇÃOO candidato do PV apontou a segurança pública, embora não seja atribuição direta do governo municipal, como uma das prioridades de seu programa, ao lado da saúde e da prosperidade, com o "encontro da vocação econômica da cidade". Ele também prometeu iniciar a reforma da área portuária.Gabeira criticou a política "de confronto" adotada pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) no combate à violência e prometeu, se eleito, treinar melhor a Guarda Municipal. "O confronto deve ser só um elemento." Para Gabeira, a Guarda Municipal pode avançar na área de inteligência e abastecer a Polícia Militar de informações sobre a criminalidade na cidade. O candidato defendeu que parte da guarda, com armas de fogo, atue na vigilância de prédios públicos, até mesmo a sede da prefeitura, na Cidade Nova. Os guardas armados, afirmou, "teriam que se submeter mais freqüentemente a exames psicotécnicos". Questionado sobre a política de tolerância zero adotada em Nova York, Gabeira afirmou que não encamparia seus "aspectos repressivos muitas vezes injustos", mas elogiou o princípio de consertar imediatamente equipamentos urbanos quebrados. "Lugares sujos e mal iluminados são ocupados por delinqüentes. Uma janela quebrada e não consertada significa que logo outra será quebrada também", afirmou. Gabeira defendeu uma parceria com os governos estadual e federal para "libertar" favelas dominadas tanto pelo tráfico quanto pelas milícias. Para o deputado, a Força Nacional de Segurança e o Exército seriam necessários para "enfrentar a própria reação que virá da polícia."No programa de TV de segunda-feira, Gabeira levou ao ar depoimento do governador tucano de São Paulo, José Serra. Ontem, apontou "uma lacuna na oposição", que atribuiu a uma "razão histórica". "O PT era um partido excelente na oposição. Os partidos que estavam no governo (anterior) e foram para a oposição não conhecem, não estão acostumados com o mecanismo", afirmou. "Se o PT fosse oposição no momento do mensalão, conseguiria levar o governo às cordas. Na crise aérea, no momento da queda do avião da TAM, tudo teria conseqüências diferentes."Gabeira disse que, no governo Lula, "o Brasil avançou na questão econômica e na questão social, mas as relações políticas estão degradadas". O candidato reiterou o compromisso de não lotear os cargos da prefeitura entre os partidos aliados, se for eleito. "É o caminho para a incompetência e a corrupção", justificou. Disse que pretende usar a experiência de parlamentar para dialogar com os vereadores e evitar a política do toma-lá-dá-cá. "Tenho muita experiência com parlamentares. Já encontrei picaretas de várias dimensões. É possível negociar a partir da idéia do Orçamento do município." DENGUEPara a saúde, Gabeira propôs a construção de mais postos. O candidato disse que a prefeitura já deveria estar fazendo uma ampla campanha de prevenção contra a dengue e criticou o comportamento do prefeito Cesar Maia (DEM) durante a epidemia da doença, no início deste ano. "O prefeito revelou falta de compaixão, de solidariedade com o povo. Neste momento, tem que estar perto e ele de certa maneira se distanciou." O deputado elogiou a primeira gestão de Maia, mas disse que o atual mandato foi "marcado por certa capitulação". "A segunda gestão foi terrível."A série de sabatinas do Grupo Estado continua hoje com a candidata do DEM, Solange Amaral. Chico Alencar (PSOL) será sabatinado amanhã e Jandira Feghali (PC do B), na sexta-feira. O diretor do Grupo Estado no Rio, Marcelo Beraba, é o mediador das sabatinas, que têm a participação dos jornalistas Irany Tereza e Wilson Tosta e acontecem das 11 horas às 13 horas na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro. Em São Paulo, as sabatinas acontecerão entre os dias 1º e 5 e no dia 8 de setembro. PRIORIDADESSaúdeMais postos e maior horário de atendimento. Ampliação doPrograma Saúde da FamíliaSegurançaGuarda Municipal em parceria com a PM. Armar parte da guarda, para vigilância de prédios públicosProsperidadeComeçar pela região portuária o processo de revitalização da cidade

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