Dráuzio Varella é cotado para assumir a Saúde

A procura de um nome com perfil técnico para assumir uma das pastas mais cobiçadas do governo, Dilma reuniu-se com grupo de médicos em SP

Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo,

25 de novembro de 2010 | 23h01

BRASÍLIA - Nem petista nem peemedebista. A presidente eleita, Dilma Rousseff, quer um expoente da área técnica que possa dar projeção a uma gestão competente e profissional no Ministério da Saúde. "Ela procura um Jatene", comparou um petista ligado ao governo de transição e à cúpula do PT. O nome mais cotado é o do médico Dráuzio Varella.

 

As conversas para a composição do chamado ministério político se intensificaram após o anúncio da formação da equipe econômica do próximo governo, na quarta-feira.

 

Médico respeitado e conhecido internacionalmente, o nome de Adib Jatene, ex-ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso, passou a ser usado como sinônimo de ministro que impõe prestígio à pasta ao mesmo tempo em que dá visibilidade ao cargo.

 

Foi com a força e a credibilidade pessoal de Jatene que o governo FHC conseguiu apoio político no Congresso para criar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o imposto do cheque. Quando derrubada em 2007, a projeção era um incremento de R$ 8 bilhões para a Saúde, com a prorrogação da contribuição.

 

Com um orçamento em torno de R$ 67 bilhões por ano, o Ministério da Saúde é alvo de cobiça dos partidos. Se por um lado, a pasta serviu de projeção para o tucano José Serra no governo FHC, o ministério também foi motivo de crise no governo Luiz Inácio Lula da Silva, depois de denúncias no escândalo que ficou conhecido por sanguessuga e máfia das ambulâncias.

 

No governo Lula, passaram pela pasta os deputados Humberto Costa (PT-PE) e Saraiva Felipe (PMDB-MG). O atual titular, José Gomes Temporão (PMDB), foi uma tentativa do presidente de mudar a gestão do ministério, colocando um médico sanitarista de renome nacional.

 

Aposta

 

A busca por um nome conhecido, como Jatene, provocou alteração na cotação ministerial do futuro governo. O médico e ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, indicado pelo PT para chefiar a Saúde, deverá permanecer na mesma função atual, fazendo a ponte política do Palácio do Planalto com o Congresso.

 

No sábado passado, Dilma manteve conversas com médicos sobre a área de saúde, após fazer exames de rotina no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. A presidente eleita se reuniu com um grupo de médicos em um almoço na casa do cardiologista Roberto Kalil Filho.

 

No grupo estavam, além de Dráuzio Varella, Raul Cutait, Guilherme Almeida, o presidente do Instituto do Coração de São Paulo (Incor-SP), Noedir Stolf, o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), José Luiz Gomes do Amaral e o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d’Ávila.

 

No encontro, Dilma afirmou que o futuro ministro da Saúde terá um perfil técnico, segundo relato de pessoas presentes.

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