Dossiê mostra pagamentos à campanha de Serra, diz Expedito

Em depoimento à CPI dos Sanguessugas nesta quarta-feira, Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, acusou o governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), de receber dinheiro da máfia das ambulâncias, por meio de caixa dois na campanha presidencial de 2002. Expedito afirmou que teve acesso a 15 cheques, de contas do Banco do Brasil, que teriam sido destinados a pagamentos de restos de campanha do tucano naquele ano. Segundo Expedito, Luiz Antonio Vedoin lhe contou que os cheques foram entregues ao empresário Abel Pereira, ligado ao atual prefeito de Piracicaba e ex-ministro tucano Barjas Negri. As transferências bancárias também teriam sido feitas para empresas indicadas por Abel Pereira. "Os documentos eram um conjunto de 15 cheques e comprovantes de transferências bancárias, que somavam R$ 900 mil. Os cheques totalizavam um pouco mais de R$ 600 mil. Havia fotos e foi mostrado um DVD que retratava entrega de ambulâncias e ônibus em Cuiabá. A festa teria sido patrocinada pela Planam", afirmou Veloso. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), sub-relator da CPI, desqualificou a acusação de Expedito contra Serra. "Se o senhor tinha essa informação, por que não a revelou em seu depoimento na Polícia Federal? O senhor esqueceu isso na polícia e lembrou hoje", questionou. Sampaio disse que Expedito e Jorge Lorenzetti adotaram uma estratégia para desviar o foco das investigações sobre a compra do dossiê contra integrantes do PSDB. No depoimento, o ex-diretor do Banco do Brasil disse que Luiz Antonio o informou que duas transferências bancárias foram feitas para as empresas DataMicro, de Governador Valadares, e Império Representações Turísticas, de Ipatinga, a pedido de Abel Pereira. Uma dessas transferências teria ocorrido no dia 18 de dezembro de 2002 da Planam para a Império. "Eram as palavras de Vedoin que os cheques e as transferências bancárias foram para pagamento de restos de campanha do Serra, em 2002", disse Veloso. Expedito, ainda em depoimento, disse que não se lembrava de ter ligado várias vezes para Gedimar Passos quando este estava no Hotel Íbis, em São Paulo, para negociar o dossiê contra integrantes do PSDB. Veloso, que depõe nesta quarta-feira na CPI dos Sanguessugas, colocou em dúvida o relatório elaborado pela Polícia Federal sobre a sua quebra de sigilo telefônico.Em setembro, Veloso estava em Cuiabá acompanhando a entrevista de Luiz Antonio Vedoin à revista IstoÉ. Passos estava em São Paulo com o empresário Valdebran Padilha, ocasião em que foram apreendidos R$ 1,7 milhão relativos à compra do dossiê. "Não me lembro de ter falado com Gedimar em São Paulo (por telefone)", disse Veloso.O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), sub-relator da CPI, contestou a versão do ex-diretor do BB. Segundo Gabeira, os telefonemas teriam ocorrido por causa de negociação financeira para a entrega dos documentos.Diante do impasse, o vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), sugeriu uma acareação entre Expedito e Gedimar Passos. "Por que não fazemos uma acareação entre Vedoin e Barjas Negri?", reagiu o deputado Eduardo Valverde (PT-RO), sobre os cheques que teriam pago restos da campanha de Serra em 2002. Colaborou Eugênia Lopes

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