Dossiê de fabricante do Celobar compromete empresa

A polícia apreendeu no Laboratório Enila um dossiê que detalha a produção do lote 3040068 do Celobar, suspeito de ter provocado a morte de 22 pessoas, e encontrou novos indícios de falha no controle de fabricação.No dossiê, aparece como conferente da produção do lote o químico Sérgio Porto Carreiro, profissional que está afastado da empresa há mais de um ano, segundo o delegado Renato Nunes. ?Isso é uma irregularidade administrativa, mas pode configurar responsabilidade criminal, já que é evidente que o produto final não teve acompanhamento?, afirmou o delegado.Livros contábeis e computadoresNunes encontrou ainda vários formulários de conferência de produção não preenchidos, mas já assinados por Carreiro. O químico foi intimado a depor nesta quinta-feira. O delegado Nunes permaneceu quatro horas no laboratório, cumprindo um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça às 23 horas desta terça-feira.Além do dossiê com o registro de todo o processo de produção do Celobar, da mistura da matéria-prima à liberação do lote, Nunes apreendeu livros contábeis e computadores dos setores de compras e de contabilidade. Segundo o delegado, o dossiê vai permitir que se rastreie a que lote pertencia o sulfato de bário usado para fazer o Celobar ou se a empresa usou o sulfato obtido a partir da síntese de carbonato de bário, produto tóxico usado em tintas e até veneno de rato.Já nos computadores, Nunes quer saber se a diretoria do laboratório tentou alterar dados sobre a quantidade de sulfato de bário importada. ?Investigamos a hipótese de crime doloso (em que há intenção), e quem pratica um crime doloso tenta apagar provas?, afirmou.Lote foi rejeitadoEntre os materiais apreendidos nesta quarta-feira no Enila estavam etiquetas vermelhas com a palavra ?rejeitado? impressa em preto. O número do lote 3040068 foi escrito com caneta. Nunes relatou que, segundo o depoimento da farmacêutica Márcia Almeida Fernandes, o lote tinha sido reprovado em abril pelo controle de qualidade pelo grande número de bactérias encontrado. O material ficou de quarentena e foi submetido a nova análise 15 dias depois.?Quando o medicamento foi novamente reprovado, ela se dirigiu ao depósito para colocar as etiquetas e descobriu que o produto já estava no mercado. Ela afirmou que sequer sabia que o laboratório químico estava funcionando?, disse.Licença para experimentosO advogado do Enila, Paulo Henrique Lins, disse nesta quarta-feira que o laboratório pediu baixa do Conselho Regional de Química para ?não pagar duplicidade de conselho?, mas que o Enila tinha autorização do Ministério da Saúde e alvará da Prefeitura para fazer experiência química. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já informou que o laboratório não tinha registro para fazer aquele tipo de experimento.

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