Celso Junior/AE - 29.06.2011
Celso Junior/AE - 29.06.2011

Dos R$ 8 milhões de campanha, Gleisi gastou só 0,7% com transporte aéreo

Ministra da Casa Civil, candidata ao Senado pelo Paraná que mais gastou na eleição, declarou R$ 56,9 mil de despesas com táxi aéreo, valor sete vezes inferior ao gasto de Roberto Requião (PMDB)

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br, e Mariangela Gallucci, de O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2011 | 22h40

BRASÍLIA - Dona da campanha eleitoral mais cara entre os candidatos ao Senado no Paraná, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), envolvida em polêmica recente sobre o uso de jatinhos particulares, declarou em sua prestação de contas despesas de apenas R$ 56,9 mil com empresas de táxi aéreo, o equivalente a 0,7% dos quase R$ 8 milhões que informou ter gasto na disputa.

 

Na segunda-feira, em resposta à reportagem publicada na revista Época sobre a utilização de um avião particular da construtora Sanches Tripoloni ao lado do marido Paulo Bernardo - hoje ministro das Comunicações e na ocasião ministro do Planejamento -, a ministra divulgou nota dizendo ter feito seus voos durante a campanha apenas em avião fretado e com contrato de aluguel. Procurada na terça-feira, 23, pelo Estado com questionamentos sobre a prestação de contas da campanha, Gleisi foi econômica nas explicações.

 

A ministra confirmou ao Estado o gasto de R$ 56,9 mil com aviões que, segundo ela, referem-se a 26 horas de voo pagas às empresas Hércules e Helisul. Ela afirma ter feito outros deslocamentos aéreos "em conjunto com outros candidatos", mas não especificou os seus nomes.

 

Disse ainda ter viajado muito por terra e confirmou ter viajado de avião algumas vezes, sem mencionar quantas, com o candidato do PDT ao governo, Osmar Dias. Questionada se realizou voos para sua campanha com outras empresas e se isto não estaria contabilizado, a ministra negou. Ela também garante não ter usado avião emprestado por empresas privadas.

 

O ministro Paulo Bernardo afirma ter voado durante a campanha da mulher em aviões particulares e explicou que os aviões eram fretados. As empresas, afirmou, recebiam pagamento por ceder o transporte. Também questionado pelo Estado se sabia de gastos não contabilizados, o ministro preferiu repassar a responsabilidade para a mulher dizendo não ter cuidado das contas de campanha dela.

 

Contraste. Os gastos de Gleisi com táxi aéreo são sete vezes menores do que o de seu companheiro de chapa no Paraná, o senador Roberto Requião (PMDB). O peemedebista gastou R$ 416 mil com aviões para fazer a campanha pelo Estado. O aliado, no entanto, gastou em toda sua campanha R$ 3 milhões, menos da metade do que Gleisi.

 

Aliados e opositores de ambos no Paraná apontam que a campanha da petista era mais vistosa e incluía mais cidades em seus roteiros a cada dia, o que aumentaria a necessidade de rápidos deslocamentos em busca do voto do eleitor.

 

Fontes do PMDB do Paraná ouvidas pela reportagem garantem que as viagens conjuntas de Requião e Gleisi eram raras. "Eles só iam juntos para eventos com o Lula e a Dilma. Fora isso, cada um tocava a sua campanha de forma independente e com caixa separado", diz um peemedebista que acompanhou o senador de perto. Requião, por meio de sua assessoria, disse que não se manifestaria sobre o tema.

 

As suspeitas sobre as relações do casal de ministros com a empreiteira Sanches Tripoloni têm como pano de fundo a crise que levou a demissões em série no Ministério dos Transportes. A empreiteira é a responsável pela obra do contorno norte de Maringá, no Paraná. A obra foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) por pressão de Paulo Bernardo ainda no governo Lula.

 

O Tribunal de Contas da União vê superfaturamento e já carimbou a empresa como inidônea por outra obra realizada no Estado, em Foz do Iguaçu. Bernardo confirma ter defendido a inclusão da obra de Maringá no PAC, mas nega ter feito isso para beneficiar a construtora.

 

Negação. A Construtora Sanches Tripoloni negou na terça-feira, 23, em nota, após questionada pelo Estado, que tenha transportado o então ministro do Planejamento Paulo Bernardo, durante a campanha do ano passado, na aeronave King Air, prefixo PR-AJT, ou qualquer outra. "A empresa também informa que não cedeu aeronaves para campanhas eleitorais", reforça a empresa.

 

Em relação às doações a partidos políticos e candidatos, a empresa disse que foram feitas "de forma oficial, de acordo com as normas vigentes e a legislação eleitoral brasileira, e foram devidamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral".

 

Sobre os aditivos orçamentários para a obra do Contorno Norte de Maringá, a Sanches Tripoloni acentuou que foram necessários porque a expansão do município na última década demandou alterações no projeto pelo contratante." A empresa diz ainda que sempre atendeu "às normas de fiscalização e execução" impostas pelo Tribunal de Contas da União. / COLABOROU EVANDRO FADEL

 

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