Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Relembre quem já foi demitido no governo Bolsonaro

Lista inclui ministros e funcionários do alto escalão da administração federal; Gustavo Bebianno, Ricardo Vélez, Santos Cruz, Floriano Peixoto, Gustavo Canuto, Osmar Terra, Luiz Henrique Mandetta, Sérgio Moro e Nelson Teich deixaram ministérios

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 10h00
Atualizado 15 de maio de 2020 | 22h23

Em 17 meses de governo de Jair Bolsonaro, nove ministros foram demitidos ou pediram exoneração do cargo. Ao menos 16 presidentes de órgãos federais e dezenas de secretários e diretores do segundo escalão do governo também já foram trocados.

A baixa mais recente é a de Nelson Teich, o ministro da Saúde que menos tempo comandou a pasta desde a redemocratização. A saída ocorreu em meio às divergências do médico oncologista em relação à mudança no protocolo de uso da cloroquina no combate à covid-19. A doença já deixou um rastro de mais de 14 mil mortes no País.

Baixas na educação e cultura

O campo da educação foi um dos mais afetados pelas exonerações ou pedidos de demissão. Além do ministro Ricardo Vélez, houve ao menos outras dez baixas entre funcionários do Ministério da Educação (MEC), Inep e Capes. Ex-secretário de Educação Superior do MEC, Arnaldo Lima Júnior se demitiu em janeiro deste ano em meio à crise causada pelos erros no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e na divulgação de notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Antes disso, em novembro de 2019, coordenadores da equipe de alfabetização do MEC foram exonerados. O ex-presidente da Capes, Anderson Ribeiro Correia, e o ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Rodrigo Sergio Dias, também deixaram seus cargos no final de 2019.

A cultura foi outra área que teve pouca estabilidade nos cargos, principalmente no alto escalão, registrando a exoneração de três secretários especiais. Antes de Roberto Alvim, deixaram o cargo Henrique Pires (em agosto) e Ricardo Braga (em novembro).

Outros setores da cultura também tiveram mudanças. Katiane Gouvêa, ex-secretária do Audiovisual, foi exonerada em dezembro passado. Na mesma semana, também foi exonerada Kátia Bogéa, então presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan). A substituta para o cargo, Luciana Feres, teve a nomeação cancelada. O fato foi considerado uma vitória para Alvim em uma queda de braço com o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que havia indicado Feres.

Os motivos para exonerações no governo federal passaram por divergências sobre medidas econômicas, conflitos internos, declarações desastrosas e pressão popular. Relembre abaixo as demissões que ganharam maior repercussão:

Gustavo Bebianno

Nos três primeiros meses de seu governo, Bolsonaro demitiu três de seus ministros. O primeiro foi o advogado Gustavo Bebbiano, da Secretaria Geral, que foi exonerado com 48 dias de mandato, após se desentender com Carlos Bolsonaro e ter seu nome associado à denúncia de candidaturas de laranjas do PSL durante as eleições 2018. Ele foi substituído pelo general Floriano Peixoto, do Exército Brasileiro. 

Ricardo Vélez Rodríguez

Em abril, foi demitido o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, indicado pelo filósofo Olavo de Carvalho para chefiar o Ministério da Educação (MEC).  Ele deixou o cargo em meio a declarações polêmicas e boicotes

Joaquim Levy

Em junho do ano passado, Bolsonaro também influenciou na mudança de comando de uma empresa estatal. Na época, ele disse que o então presidente do BNDES, Joaquim Levy, estava com "a cabeça a prêmio" durante conversa com jornalistas. No dia seguinte, Levy pediu demissão do cargo.

Santos Cruz

Em agosto, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, um dos principais nomes nas Forças Armadas, foi exonerado após atrito com a ala olavista do governo. Ele já era o terceiro nome a chefiar a Secretaria-Geral da Presidência. 

Nesta terça, 28, mais de quatro meses após a demissão do general, a Polícia Federal concluiu são falsas as mensagens de WhatsApp que motivaram uma discussão entre Bolsonaro e Santos Cruz, e culminaram na sua saída do governo. Ele criticou a gestão Bolsonaro, que chamou de "show de besteiras".

Ricardo Galvão

A discordância em relação à divulgação de dados também motivou a demissão de Ricardo Galvão, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)“Certas coisas eu não peço, mando”, afirmou Bolsonaro, após ter confirmado que pediu a demissão de Galvão por ele ter liberado informações sobre o aumento do desmatamento da Amazônia em 2019

Marcos Cintra

Em setembro do ano passado, o presidente decidiu demitir o então secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, porque considerou que a discussão sobre a criação de um imposto nos moldes da CPMF se tornou "pública demais". Embora tivesse apoio da equipe econômica, o assunto gerou polêmica e não agradou os seus apoiadores.

Roberto Alvim

Há cerca de dez dias, Bolsonaro demitiu o então secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, por copiar trechos de discurso nazista em vídeo transmitido nas redes oficiais do governo. Inicialmente, o presidente comunicou que o deixaria na função, mas recuou poucas horas depois por causa da reação negativa de diferente alas do governo e de alguns de seus principais apoiadores. Por fim, Bolsonaro afirmou que a situação de Alvim se tornou "insustentável".

Vicente Santini

Ex-secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini perdeu o cargo após Bolsonaro avaliar que a decisão do número 2 da pasta de viajar à Índia em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) foi “completamente imoral” e “inadmissível”. Um dia depois de sua exoneração, Santini chegou a ser nomeado novamente para outro cargo na Casa Civil a pedido do deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), mas sua recondução enfureceu Bolsonaro e foi anulada. 

Gustavo Canuto

A demissão de Gustavo Canuto do Ministério do Desenvolvimento Regional foi vista com surpresa até por auxiliares próximos. Bolsonaro estaria insatisfeito com a falta de entregas no ministério responsável pelo programa Minha Casa Minha Vida. Canuto ocupava o posto desde o início do governo e foi substituído por Rogério Marinho, até então secretário da Previdência e Trabalho e um dos principais articuladores da Reforma da Previdência. 

Osmar Terra

O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) deixou o Ministério da Cidadania em meio a críticas na condução do programa Bolsa Família, subordinado à pasta, e depois de reportagens do Estado revelarem que o ministério, sob sua gestão, contratou uma empresa suspeita de ser usada como laranja para desviar R$ 50 milhões dos cofres públicos.

Luiz Henrique Mandetta

O médico Luiz Henrique Mandetta foi demitido por Bolsonaro após semanas de desavenças. Enquanto o presidente defendia flexibilizar medidas como fechamento de escolas e do comércio, o ex-ministro manteve a orientação da pasta para as pessoas ficarem em casa. O estopim da crise foi a entrevista dada por Mandetta ao programa Fantástico, da Rede Globo, quando ele cobrou uma fala única sobre a pandemia e afirmou que o "brasileiro não sabe se escuta ministro ou o presidente". O tom adotado foi considerado por militares do governo e até mesmo por secretários estaduais da Saúde como uma “provocação” ao presidente.

Sérgio Moro

Sérgio Moro anunciou sua demissão do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública após Bolsonaro formalizar o desligamento de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Em entrevista coletiva com a imprensa, o ex-juiz acusou o presidente de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.  

Nelson Teich

O médico oncologista Nelson Teich pediu demissão vinte e oito dias depois de assumir o cargo e após uma série de divergências com o presidente Jair Bolsonaro. O estopim da crise que levou à saída de Teich foi a decisão do presidente de mudar o protocolo de uso da cloroquina no combate à covid-19 - o ex-ministro já havia avisado que era necessário aguardar a conclusão de estudos científicos. 

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