Dos beneficiados, 63,6% não têm esgoto tratado

A maioria das 11,1 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa-Família vive em casas de alvenaria, tem energia elétrica e uma renda mínima garantida. Mas a qualidade de vida continua imersa em um ambiente de pobreza. Boa parte mora em habitações sem água tratada, esgoto ou recolhimento de lixo. Entre os chefes dessas famílias, há pouco emprego e menos ainda escolaridade.O Perfil das Famílias Beneficiárias do Bolsa-Família, divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Social, mostra que o Estado conseguiu levar dinheiro aos mais pobres, mas não a infra-estrutura social. A maior parte das famílias do programa mora em zonas urbanas, mesmo que de municípios quase rurais. Boa parte, 61,7%, tem casa própria e a maioria, casas de alvenaria. Os barracos de papelão e madeirite aparecem em apenas 1% dos casos e as casas de taipa, em menos de 10%. A luz alcança quase 90% das residências - mesmo que, em alguns casos, de forma irregular, os "gatos".Esgoto, água tratada e coleta de lixo estão longe dessas casas. Um quarto dessas famílias bebe água sem nenhum tratamento, enquanto outros 38% apenas a filtram. A situação sanitária é ainda pior: 63,6% não têm redes de esgoto tratado. A maioria (26,7%) usa fossas rudimentares e outros 18% ainda convivem com esgotos a céu aberto. Apesar de a maioria das famílias ter recolhimento de lixo, já que vivem em zonas urbanas, 20,5% ainda têm que queimá-lo, e 10,7% o deixam a céu aberto."Já é um dado que temos deficiência em saneamento e precisamos de um investimento grande nessa área", afirmou Rosani Cunha, secretária de Renda e Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social. "E, se há um problema nessa área, é claro que está concentrado nos mais pobres. É um diagnóstico que tínhamos feito." Se a renda básica dessas famílias está garantida com a bolsa, o futuro está longe de ser promissor. A metade dos responsáveis pelos grupos familiares não tem nenhuma ocupação fixa. Vive de trabalhos temporários. Apenas 2,8% têm emprego com carteira assinada e 0,1% dos que se dizem autônomos contribui para a Previdência Social. A situação de escolaridade também não contribui: 60% dos chefes de família são analfabetos ou têm só a 4ª série do ensino fundamental completa.

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