Dornelles monta força-tarefa para mudar CLT

Numa operação de última hora, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, montou uma força-tarefa que envolve empresários de vários setores, financiadores de campanhas políticas, para pressionar os deputados a aprovar as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho que vai a voto na Câmara, nesta terça-feira à tarde.O presidente da Casa, Aécio Neves (PSDB-MG), comunicou, nesta segunda, a líderes da base a sua decisão de pôr o projeto em votação nesta terça-feira, mesmo diante das dissidências na bancada governista.Apesar de estar preocupado com a notícia da chegada de várias caravanas de sindicalistas a Brasília, num movimento para impedir as alteração na legislação trabalhista, Aécio considera que o melhor caminho é encerrar a polêmica no voto, o mais rápido possível.O projeto - que altera o artigo 618 da CLT e permite que convenções ou acordos coletivos de trabalho prevaleçam sobre a lei ? estava na pauta da semana passada, mas o governo adiou a votação diante da decisão da bancada do PMDB de rejeitar a proposta.Segundo um integrante da base aliada procurado pelo ministro e por um empresário, o ministro está demonstrando que está com receio de sair derrotado da sessão. ?Com apenas 257 presentes, o governo consegue garantir a votação, mas, mesmo assim, o quadro é desfavorável?, disse o parlamentar.Para aprovar a proposta, o governo precisa garantir a maioria dos votos dos presentes num quorum mínimo de 257 (maioria simples). Ele avalia que o envolvimento de empresários na mobilização do governo é um forte sinal de que o projeto é ruim para o trabalhador.Depois de reunir-se com as bancadas para explicar o projeto ? só com o PMDB foram seis horas de debates -, Dornelles chegou à conclusão de que não tinha segurança da vitória. Ele apelou, então, para o corpo-a-corpo.Além de passar o fim de semana telefonando para deputados, o ministro também pediu ajuda a grandes empresários para que entrassem em contato com políticos com os quais têm ligações. Participaram dessa ofensiva banqueiros e empreiteiros.O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), cita as negociações feitas pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luís Marinho, para afirmar que, se fosse no Brasil, ele não poderia ter feito o acordo que permitirá a redução do salário de funcionários da Volkswagen em troca da manutenção do emprego.Os partidos de esquerda apostam nas dissidências e na força das manifestações programadas para esta terça-feira em Brasília e em várias capitais para barrar o projeto na Câmara. ?Sabemos que deputados governistas que rejeitam a proposta não vão querer que seus nomes apareçam no painel de votação da lista dos contrários à matéria, mas eles poderão retirar-se do plenário para que não haja quorum?, disse o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA).A maioria dos 90 deputados da bancada do PMDB promete votar contra as mudanças na CLT. ?Não vejo necessidade de levar isso a votação e submeter os aliados a esse tipo de desgaste num ano pré-eleitoral?, disse o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), promete orientar a bancada no Senado a votar contra o projeto, caso ele passe na Câmara.A oposição também prepara para esta terça manifestações dentro e fora do Congresso de forma a constranger os parlamentares favoráveis às mudanças nas regras trabalhistas.Sindicalistas, que chegarão nesta terça em ônibus vindos de vários Estados, também ficarão no Aeroporto de Brasília para conversar com deputados.Juízes e advogados farão um ato nesta terça em frente ao prédio da Justiça do Trabalho, em Brasília. Para evitar novos tumultos, como os que foram registrados na semana passada, será montado um forte esquema de segurança na Câmara. Haverá uma triagem nos acessos à Câmara e ao Senado para evitar a entrada de manifestantes.

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