Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Doria tem que responder por mortes em SP, diz Bolsonaro

Em entrevista no Palácio dos Bandeirantes na tarde desta terça, o governador de São Paulo criticou duramente a postura do presidente e pediu que ele saísse 'da bolha'

Dida Sampaio, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 19h42

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira, 29, que o governador João Doria deve ser cobrado pelas mortes por coronavírus em São Paulo. Segundo dados do Ministério da Saúde, das 5.466 pessoas que perderam a vida por causa da doença, 2.247 (41%) ocorreram no Estado governado pelo tucano.

"O Doria tem que responder por São Paulo, é o Estado que mais tem gente, que mais gente perdeu a vida. Ele que tem que responder. Nós demos recursos para quem foi possível, tá certo?", afirmou o presidente a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, no fim da tarde.

Mais cedo, Bolsonaro já havia se referido ao governador paulista, seu adversário político, ao dizer que não aceitaria ser responsabilizado pelas mais de 5 mil mortes pela doença no País. "Não vão botar no meu colo uma conta que não é minha", afirmou ao presidente ao deixar a residência oficial. Na ocasião, o presidente disse que governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento social é quem deveriam ser cobrados e reclamou do destaque a uma dele na véspera quando respondeu com um "e daí?" ao ser questionado sobre o número de mortes pela covid-19 no País.

"E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre", respondeu o presidente ao ser questionado na noite de terça-feira, 28, sobre os números. Nesta quarta, ele afirmou que a frase foi tirada do contexto. "Lamento as mortes profundamente. Sabia que iam acontecer. Mas eu desde o começo me preocupei com vida e emprego, porque desemprego também mata. Então, essa conta, tem que ser perguntada para os governadores", afirmou Bolsonaro.

Em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, na tarde desta terça, Doria criticou duramente a postura do presidente e pediu que ele saísse "da bolha". "Meus sentimentos aos familiares de 5.017 brasileiros que perderam a vida pelo coronavírus em todo o País. Quero dizer ao presidente, o mesmo presidente que ontem respondeu: 'Quer que faça o que?'. Eu posso enumerar atitudes que o senhor deveria ter tomado e não adotou. É fazer aquilo que o senhor não fez", disse o governador de São Paulo.

E continuou: "Primeiro, respeitar os brasileiros que o elegeram e os que não o elegeram. Respeitando pessoas, parentes, amigos de pessoas que perderam parentes para o coronavírus, que o senhor classificou como uma gripezinha, que não era grave. Que o senhor respeite o luto de pessoas que perderam entes queridos."

Máscaras

Ao falar com apoiadores no fim da tarde desta quarta, Bolsonaro ainda os orientou a utilizarem máscaras. Um decreto do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, torna o item obrigatório para quem sair de casa a partir desta quinta-feira, 30. "A partir de amanhã tem que usar máscara todo mundo, hein? Aqui na saída (do Palácio da Alvorada) inclusive", disse o presidente.

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