Governo de SP
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Doria: 'Polarização favorece os extremistas que destroem o País'

Cotado para 2022, governador de São Paulo diz em entrevista que forças de centro não serão engolidas se tiverem 'juízo'

Entrevista com

João Doria, governador de São Paulo

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2021 | 13h40

Apontado como um dos presidenciáveis do PSDB - o outro é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite -, o governador de São Paulo, João Doria, disse em entrevista ao Estadão que, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirme a disposição de disputar o Palácio do Planalto em 2022, o cenário eleitoral vai mudar, mas as forças de centro não serão engolidas se "tiverem juízo".

Doria não descarta até a possibilidade de o PSDB apoiar um outro nome na disputa presidencial do ano que vem: "Nada deve ser excluído. Uma aliança pelo Brasil não pode estabelecer prerrogativas de nomes".

Como a decisão do ministro Edson Fachin que devolveu os direitos políticos ao ex-presidente Lula impacta o campo político do centro?

Primeiro é preciso saber se o presidente Lula será candidato. A medida do Supremo traz um impacto muito grande no mundo da política, mas é preciso saber se o presidente Lula tem disposição. Se ele confirmar que será candidato em 2022, então o cenário político para a sucessão presidencial muda. 

Muda como? 

Estabelece desde já a polarização extremista entre Bolsonaro e Lula, que é o que mais deseja o atual presidente.

A polarização também interessa ao Lula? 

Ao Lula resta saber. Ao Bolsonaro eu tenho certeza. Tem que perguntar para ele. 

Com Lula no tabuleiro eleitoral, as forças de centro precisam acelerar a escolha de um nome? 

A polarização favorece os extremistas que destroem o País. Já destruíram uma vez e estão completando o serviço com Bolsonaro. Portanto vejo como um impacto positivo para o centro democrático estar unido na defesa de um programa de governo que salve o Brasil dos extremistas. 

Por que o impacto é positivo? 

É preciso ver se os russos vão jogar a partida. Está todo mundo supondo. Caso o presidente Lula tome a decisão de ser candidato, se configura uma conflagração para a eleição de 2022 de alto risco para o Brasil. O extremismo não traz uma solução conciliadora diante da pandemia e da gravidade dos efeitos na economia. 

Teme que o centro seja engolido por essa polarização? 

Se tiver juízo, não. 

E o que significa ter juízo?

Capacidade de dialogar, formular um programa econômico e social para o Brasil e escolher um candidato que seja competitivo para disputar a eleição e, ao vencer, governar a Nação. Não basta a análise de popularidade, que é parte do processo. É preciso conciliar popularidade com capacidade. De nada vai adiantar ter um popular na Presidência da República que seja incapaz. 

O antipetismo e o antibolsonarismo são duas forças que ainda dominam a política brasileira?

Não vou dizer que dominam, mas são latentes. 

Qual é o momento de escolher o nome que vai encabeçar essa frente de centro?

No limite até outubro deste ano, caso contrário não haveria tempo de trabalhar esse nome nacionalmente. 

O PSDB pode apoiar o candidato de outro partido?

Nada deve ser excluído. Uma aliança pelo Brasil não pode estabelecer prerrogativas de nomes. 

Como o sr avalia que será o impacto político das medidas restritivas causadas pela pandemia nas eleições de 2022?

Não há dúvida que a pandemia vai impactar na decisão eleitoral. É a pior tragédia da história do Brasil nos últimos 100 anos. Em breve vamos alcançar o número de 300 mil mortos. Não há tragédia mais triste do que 300 mil vidas perdidas. 

O PSDB marcou para outubro as prévias para definir o candidato do partido ao Palácio do Planalto...

Sou amplamente favorável às prévias. Elas fortalecem, somam e constroem candidaturas fortes para a disputa eleitoral. Aliás, sou filho das prévias. As duas únicas prévias feitas até hoje no Brasil foram feitas pelo PSDB e em São Paulo, em 2016 e 2018. Disputei e venci as duas. 

Em 2014 e 2018 o PSDB reuniu um arco de partidos para disputar o Palácio do Planalto. Acredita que em 2022 esses partidos estarão reunidos em torno de uma candidatura de centro ou apoiarão Bolsonaro?

É possível, embora o ideal seja a conciliação. O fracionamento só atenderá o  interesse dos extremos. 

O antipetismo ainda tem a mesma força que teve em 2018 ou o PT com Lula pode aglutinar as forças de oposição ao Bolsonaro?

O governo Bolsonaro em dois anos provou a sua incompetência e fez da sua gestão um mar de fracassos e uma usina de mortes. Já provou, portanto, a sua incapacidade. 

Como avaliou a decisão do Fachin?

O Brasil é muito maior que Lula e Bolsonaro.

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