Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Doria põe chefe da CET no comando da Dersa

Indicado pelo DEM, Milton Persoli terá como desafio retomar as obras do Trecho Norte do Rodoanel, alvo de denúncias de corrupção na Lava Jato

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2019 | 22h30

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), escolheu o atual chefe da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital paulista, Milton Persoli, para presidir a Dersa, estatal responsável pelas grandes obras viárias do Estado e imersa em casos de corrupção investigados pela Lava Jato.

Engenheiro com 40 anos de carreira dentro da Prefeitura, Persoli entregou na tarde desta segunda-feira, 7, seu pedido de afastamento da presidência da CET, cargo que ocupava desde abril do ano passado. O nome dele deve ser apresentado ao conselho de administração da Dersa na próxima quarta-feira pelo secretário estadual de Logística e Transportes, João Octaviano. 

Embora seja filiado ao PSD desde 2011, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Persoli vai assumir o novo cargo por indicação do ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (DEM), aliado de Doria e correligionário do vice-governador Rodrigo Garcia. Leite já havia indicado Octaviano para comandar a secretaria no governo do Estado, a exemplo do que fez na Prefeitura durante a gestão Doria-Covas. 

Antes de assumir a CET, Persoli foi prefeito regional do Aricanduva no governo Doria, chefe da Defesa Civil no governo Fernando Haddad (PT), por indicação do ex-secretário e vereador Ricardo Teixeira (PROS), e subprefeito de São Miguel Paulista na gestão Gilberto Kassab (PSD). 

Na Dersa, Persoli terá como principal desafio retomar as obras do Trecho Norte do Rodoanel e da Nova Tamoios, ambas paralisadas no fim do ano passado. No primeiro caso, metade dos contratos foi rescindida em dezembro, ainda no governo Márcio França (PSB), e a Dersa terá de fazer uma nova licitação para concluir o anel viário, que está três anos atrasado. 

O Rodoanel Norte foi alvo de investigação da Lava Jato paulista, que prendeu o ex-secretário e ex-presidente da Dersa Laurence Casagrande, ex-diretores da estatal e executivos da OAS e Mendes Júnior, em junho de 2018, por suspeita de desvios de R$ 625 milhões. Todos já foram soltos e denunciados por fraude à licitação, falsidade ideológica e formação de quadrilha na Justiça Federal.

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