Leticia Bragalia/Ass.Doria
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Doria pede à bancada do PSDB apoio a Bolsonaro

Governador eleito de SP quer que tucanos ajudem a aprovar nova Previdência; em outra frente, Eduardo Bolsonaro deu aval para que o PSL integre secretariado paulista

Vera Rosa, Pedro Venceslau e Marcelo Godoy , O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2018 | 16h29
Atualizado 07 Novembro 2018 | 22h55

BRASÍLIA - Em sua primeira viagem oficial a Brasília como governador eleito de São Paulo, João Doria pediu ontem à bancada do PSDB que ajude o presidente eleito, Jair Bolsonaro, no Congresso a governar e aprove a reforma da Previdência. O encontro ocorreu no momento em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP) deu aval para que o PSL tenha espaço no secretariado do tucano.

Doria foi o primeiro governador eleito a ser recebido em audiência por Bolsonaro . Essa aproximação, porém, encontra resistência no PSDB. Derrotado na disputa pelo Palácio do Planalto, o ex-governador Geraldo Alckmin, presidente do partido, prega que os tucanos sejam agora oposição e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem trocado farpas com Bolsonaro pelo Twitter. 

Há ainda uma ala do PSDB que rejeita a ideia de alinhamento automático com o novo governo e outra que defende a adesão. A posição oficial da sigla será definida em reunião da Executiva Nacional, marcada para o dia 22, em Brasília. 

“O PSDB, agora, vai ter lado e não ficará mais em cima do muro”, afirmou Doria, em almoço com a bancada federal do partido, pouco antes da reunião com Bolsonaro e com o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, no CCBB, onde trabalha a equipe de transição do governo. A bancada do PSDB na Câmara, que tinha 49 deputados, caiu para 29.

“Vamos apoiar as boas propostas. Não é neutralidade nem oposição”, insistiu o governador eleito, que se mostrou favorável a um programa liberal, com privatizações.

Doria contou a Bolsonaro que, no encontro com 58 parlamentares tucanos – incluindo os que não se reelegeram – e também com o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, todos defenderam mudanças nas regras da aposentadoria. “A nossa posição é de apoiar a reforma da Previdência de imediato”, afirmou ele, ao pregar a fixação da idade mínima de 56 anos para mulheres e 61 para homens. “Acreditamos que o impacto da atual proposta será positivo.”

Resistência 

Na contramão de Alckmin, seu padrinho político, Doria disse aos correligionários, a portas fechadas, que, mesmo sem fazer parte do governo Bolsonaro, o partido precisa se aliar ao presidente eleito no Congresso. “Não vamos pedir nada em troca. Nenhum ministério nem estatal. Nem desejamos”, insistiu.

Um dia antes, Alckmin havia desembarcado em Brasília para uma série de conversas com correligionários. Chegou no fim da tarde de terça-feira e foi embora ontem, sem participar do almoço com Doria. O ex-governador jantou na terça no apartamento do senador Tasso Jereissati (CE) ao lado dos colegas tucanos Antonio Anastasia (MG), Cássio Cunha Lima (PB), Ricardo Ferraço (ES) e do ex-governador de Alagoas Teotônio Vilela Filho.

No cardápio, os rumos do PSDB e a troca de comando no partido. Como antecipou a Coluna do Estadão, o movimento de Alckmin é para articular um polo de resistência à hegemonia de Doria sobre o partido. “Não vamos fazer oposição simplesmente por fazer, mas, na minha opinião, deveremos ficar independentes em relação ao governo Bolsonaro”, afirmou Tasso, cotado por partidos de oposição como pré-candidato à presidência do Senado, em fevereiro de 2019. “Não seremos o PT, mas também não seremos o PSL. Virou moda falar em apoio crítico, mas nós faremos, sim, oposição crítica”, afirmou Cunha Lima.

Alckmin assumiu a presidência do PSDB em dezembro do ano passado, na esteira da crise envolvendo as denúncias contra o senador Aécio Neves (MG) por executivos da J&F na Lava Jato. O Artigo 62 do estatuto do PSDB diz que o mandato da direção do partido é de dois anos.

No jantar na casa de Tasso, porém, ficou alinhavado que em fevereiro de 2019 haverá um Congresso do PSDB; em março, as convenções municipais; em abril, as estaduais, e em maio será eleito o novo comando nacional da legenda. Nos bastidores, o deputado Bruno Araújo (PE), ex-ministro no governo Temer, é cotado para presidir a sigla.

Assembleia 

Ao que tudo indica, o apoio do PSDB a Bolsonaro – apesar das resistências – será uma via de mão dupla. Com 15 deputados estaduais eleitos em São Paulo, o PSL negocia uma aliança com Doria e vai integrar o primeiro escalão do governo.

No segundo turno da eleição, Doria colou sua imagem à de Bolsonaro e fez campanha pregando a dobradinha “Bolsodoria”, mas não obteve apoio formal do PSL. À época, o senador eleito Major Olímpio, presidente do PSL paulista e adversário do PSDB, defendeu o voto no governador Márcio França, então candidato do PSB.

Após a disputa, no entanto, Major Olímpio mudou de posição. “Não faço objeção de que um parlamentar nosso esteja no secretariado, mas não há obrigação de o PSL votar automaticamente com o governo.” 

Sob o argumento de que é preciso uma “convivência harmônica”, o senador eleito contou que terá uma reunião em breve com Doria. O nome mais citado pelo PSL para o secretariado é o de Frederico Dávila, deputado estadual eleito e integrante da Sociedade Rural Brasileira. Doria, porém, não confirma a escolha.

Vice-presidente do PSL paulista, o deputado Eduardo Bolsonaro disse que Doria está alinhado às ideias do presidente eleito e do partido. Ele também confirmou a possibilidade de um deputado da legenda integrar a equipe de Doria./ COLABOROU LEONENCIO NOSSA e GILBERTO AMENDOLA

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