Governo de SP
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Doria diz a deputados paulistas que PSDB não pode virar um DEM; sigla volta a apoiar Baleia

Por pressão de caciques tucanos, a bancada da sigla recua da decisão de neutralidade na eleição na Câmara

Felipe Frazão , O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 16h10
Atualizado 01 de fevereiro de 2021 | 18h07

BRASÍLA - Por pressão de caciques tucanos, a bancada do PSDB recuou da decisão de neutralidade na eleição da Câmara dos Deputados, sem formar nenhum bloco, e manteve a orientação da direção nacional do partido para formalizar a aliança com Baleia Rossi (MDB-SP), candidato apoiado pela oposição ao governo Jair Bolsonaro.  O governador de São Paulo, João Doria, foi um dos que entraram no circuito nesta segunda-feira, dia 1º, para barrar a debandada pró-Arthur Lira (Progressistas-AL), o candidato do presidente Jair Bolsonaro.

A reviravolta, porém, não garante que Baleia terá maioria no partido, porque, segundo deputados, a bancada está rachada com vantagem pró-Lira, e os votos são secretos, não vinculados à orientação partidária.  

No entanto, o registro do bloco de Baleia está em suspenso, pois os partidos alegaram problemas técnicos e não conseguiram formalizar a aliança a tempo. O prazo se encerrou ao meio-dia. O imbróglio está sendo discutido com a área técnica da Câmara e a Mesa Diretora, presidida por Rodrigo Maia (DEM-RJ), artífice da candidatura do emedebista. 

Se as assinaturas forem aceitas, o bloco deve ser integrado por PSDB, MDB, Cidadania, PV, Solidariedade, Rede, PT, PSB, PDT e PCdoB. O DEM ficou de fora, não integrando nenhum bloco, porque a maioria dos deputados prefere votar em Lira.

Mais cedo, a bancada do PSDB decidiu seguir o mesmo caminho. Dos 31 deputados, somente 13 declaram abertamente voto em Baleia, segundo dirigentes do partido.  Por isso, a bancada decidiu seguir o caminho de “neutralidade” no DEM. A ala lirista do tucanato rejeitava permanecer no bloco apenas ao lado de partidos de esquerda.

Doria chegou a admitir que havia maioria pela neutralidade, mas insistiu para que os deputados mantivessem o compromisso e votassem em Baleia Rossi. A deputados paulistas, Doria argumentou que não poderia deixar o PSDB passar a ser comandado por Lira, a exemplo do que ocorreu com o DEM. Ponderou também que os tucanos estavam aderindo ao Centrão se não honrassem a palavra de apoiar Baleia.

O presidente nacional do partido, o ex-ministro Bruno Araújo, e o líder da bancada, Rodrigo de Castro (MG), iniciaram uma conversa no varejo da bancada, deputado a deputado, para tentar obter uma lista com indicativo de apoio a Baleia, ainda que ela não refletisse as intenções de voto em si.

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Outros tucanos também atuaram, como o deputado Samuel Moreira (SP). O grupo de WhatsApp bancada do partido chegou a ficar por algumas horas “vendido”, sem informações de qual seria o posicionamento final e sem saber ingressaram de fato no bloco, por causa do problema técnico. Deputados cobraram uma reunião, mas não conseguiam ser atendidos por Castro.

O partido já havia recebido apelos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para se posicionar contra Lira. Nesta segunda, o ex-deputado e ex-senador José Aníbal também pressionou. Disse que a bancada não poderia virar “adesista”, disparou telefonemas e enviou uma mensagem com acusação de que o candidato do Palácio do Planalto cooptava os deputados.

Os parlamentares disseram que tucanos ligados à direção nacional e quadros históricos do partido pressionaram pela manutenção do apoio a Baleia. Apesar disso, deixariam os deputados livres para votar em quem quiserem.

Em mensagem encaminhada a parlamentares, Aníbal disse que há “muita boataria” e que o PSDB deve cumprir seu compromisso assumido com o emedebista. “De outro modo, é adesão ao genocida”, afirmou o ex-presidente do PSDB. Ele disse também que Lira “conduz sua campanha num balcão em que, segundo reiteradas denúncias, opera assalto aos cofres públicos para obter adesões”.

Solidariedade

Outro partido que decidiu ficar de fora do bloco mais cedo, o Solidariedade também voltou a integrar a base de apoio a Baleia. O presidente do partido, deputado Paulinho da Força (SP), negou que houvesse intenção do desembarque e disse que houve problema para acessar o sistema de registro da posição do partido. “Não desembarcamos, o problema é que nós mandamos oito assinaturas, tínhamos maioria, mas não conseguimos acessar o link do Baleia (para registro no sistema) e nosso líder não conseguiu assinar”, afirmou.

Ao Estadão, porém, o deputado e  líder da bancada, Zé Silva (Solidariedade-MG), disse que  a decisão também foi rachada apenas para atender a orientação da Executiva Nacional. “Houve uma decisão muito debatida dentro do partido. Não estamos em bloco nenhum”, disse.  O parlamentar afirmou ao Estadão que há 11 votos pró-Arthur Lira (Progressistas-AL) na bancada, de 14 no total.

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