Governo do Estado de São Paulo
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Doria diz que não há 'crime configurado' contra Witzel e que investigação deve continuar

Governador paulista critica reação de Bolsonaro ao parabenizar PF por cumprir mandado de busca e apreensão contra chefe do Executivo do Rio

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2020 | 22h44

Ao comentar a operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), nesta terça-feira, 26, o chefe do Executivo paulista, João Doria (PSDB), afirmou que não há, ainda, um “crime configurado” e que o trabalho de apuração deve prosseguir. Ele criticou os fatos de o presidente Jair Bolsonaro parabenizar a PF pela operação e de a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) falar sobre a investigação em entrevista a uma rádio no dia anterior. 

"Entendo que a investigação deve acontecer. Deve prosseguir por parte do Ministério Público e também de outros órgãos. Mas também me surpreendeu o fato de uma deputada federal vinculada ao presidente da República, literalmente falando em nome do presidente da República, um dia antes anunciava a existência de ações da Polícia Federal. Isso confronta, evidentemente, com iniciativas da Polícia Federal, onde toda e qualquer medida deve ser decidida e deliberada sob sigilo", afirmou o governador paulista. 

Doria fez referência à entrevista dada por Zambelli à Rádio Gaúcha na noite de segunda-feira. A parlamentar disse que a PF estava prestes a deflagrar operações para investigar irregularidades cometidas por governadores durante a pandemia da covid-19. Em entrevista ao Estadão, nesta terça-feira, ela negou que tenha recebido informações da investigação. “Dia 21 de maio saiu um avião da PF daqui (de Brasília) para o Rio de Janeiro. Houve uma operação anterior a essa. Então, era meio óbvio que fossem acontecer outras operações”, disse a deputada.

Em São Paulo, o Ministério Público Estadual instaurou um inquérito civil, desmembrado em cinco procedimentos, para apurar compras do governo. A gestão fechou contrato de US$ 100 milhões (cerca de R$ 574 milhões) por 3 mil respiradores da China. Até o dia 11, 150 unidades foram liberadas pelo governo chinês, que limita a entrega em lotes. Segundo a administração tucana, a empresa chinesa foi escolhida após pesquisa de mercado por apresentar as melhores condições de volume e prazos. “A aquisição cumpriu as exigências legais e os decretos estadual e nacional de calamidade pública”, informou o governo. Na semana passada, Doria anunciou a criação de uma corregedoria para acompanhar compras relacionadas à covid-19.

Além da crítica a Zambelli, Doria também reclamou da forma como Bolsonaro lidou com o assunto. Ao ser questionado sobre o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra Witzel, pela manhã, o presidente sorriu e deu “parabéns” à PF. À noite, afirmou que não teve nada a ver com a operação, que não tem ingerência sobre o STJ e provocou Witzel. “Tem gente preocupada, querendo botar a culpa em mim, falando do meu filho”, afirmou o presidente. 

"A investigação está em curso, não há crime configurado. O governador do Rio de Janeiro, e eu não sou seu procurador, nem preciso ser, não há transitado em julgado para estabelecer qualquer tipo de juízo. De comemorar ou de condenar. Atitudes como essa indicam o crescimento desse espírito autoritário e uma vinculação política de um órgão que deveria ser absolutamente técnico e independente", disse Doria. 

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