Após encontrar Witzel, Doria critica Bolsonaro e ato anti-Congresso

Após encontrar Witzel, Doria critica Bolsonaro e ato anti-Congresso

Governador diz que País não pode viver escalada autoritária e vê com preocupação mobilização feita por bolsonaristas

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2020 | 17h46

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), classificou de “inoportuna” a convocação de uma manifestação em defesa do presidente Jair Bolsonaro e contra supostas chantagens do Congresso no dia 15 de março. A mobilização de apoiadores do presidente ocorre após o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, criticar o Congresso, acusando-o de chantagem.

Doria, que é apontado como um dos possíveis candidatos à Presidência em 2022, disse ver com “muita preocupação” a convocação, afirmando ainda que o País não pode viver uma escalada de autoritarismo e que tem de haver respeito pelos três Poderes que governam o Brasil.

“Não vivemos uma escalada de autoritarismo, vivemos numa democracia e o regime democrático prevê respeito pelos Poderes, e nós (governadores) representamos o Poder Executivo. Ele (Bolsonaro) tem que representar o que uma República, uma democracia, espera de um presidente”, afirmou Doria ao lado de ex-assessores da campanha eleitoral de Bolsonaro, o empresário Paulo Marinho e o ex-ministro Gustavo Bebianno. Doria ressaltou que um presidente não pode governar apenas para quem pensa como ele ou é leal a ele, ou os “que o seguem nas redes sociais”. Segundo o governador, “contrariar isso é afrontar a democracia, o Poder Judiciário, o Poder Legislativo e o Poder Executivo”.

Resposta

Doria disse que o presidente ainda não respondeu à carta enviada por 20 governadores brasileiros após Bolsonaro acusar o governador da Bahia, Rui Costa (PT), pela morte do miliciano Adriano da Nóbrega. O tucano almoçou neste domingo, 23, com o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC).

Segundo Doria, os governadores reunidos no fórum recém-criado concordaram em esperar até depois do carnaval para ter uma resposta à carta enviada por eles na semana passada na qual acusam Bolsonaro de fazer declarações que ferem a democracia brasileira. Se a resposta não vier, porém, um novo documento pode ser enviado. De acordo com ele, “nunca os governadores estiveram tão unidos”, e que isso seria responsabilidade das declarações de Bolsonaro.

O grupo de governadores tem conversado diariamente por WhatsApp. Ele manifestou preocupação também com o que está ocorrendo no Ceará, onde PMs estão amotinados. Doria afirmou que “miliciar a polícia tira a legitimidade da categoria e é uma afronta à Constituição”. A revolta, que surgiu como reivindicação de reajuste salarial, é estimulada por políticos bolsonaristas. “Não podemos desbalancear um equilíbrio que a sociedade tem com a polícia.”

Por fim, criticou a política ambiental do governo, afirmando que ela faz o País “correr o risco de ficar cada vez mais fora da mira de investidores internacionais”.

Tudo o que sabemos sobre:
João DoriaJair Bolsonaro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.