Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Governadores do Sudeste e Sul prometem auxílio a esforços de combate a queimadas

Sem detalhar como se daria a ajuda, líderes firmaram compromisso em carta que pede 'entendimento para fortalecer a imagem internacional do Brasil'

Vinícius Rangel, especial para o Estado

24 de agosto de 2019 | 10h20

Os governadores dos Estados das regiões Sudeste e Sul assinaram neste sábado, 24, uma carta em que se prometem prestar auxílio, se necessário, no controle de queimadas na Floresta Amazônica com "estrutura, tecnologia e recursos humanos". O documento não detalha, no entanto, de que forma se daria essa ajuda. 

Os líderes do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), que se reuniu em Vitória, no Espírito Santo, afirmaram que os temas ambientais devem ser objeto de "diálogo e distensão". Na carta, os governantes reforçam que é necessário buscar "entendimento para fortalecer a imagem internacional do Brasil, reforçando o nosso compromisso com a biodiversidade e preservando as exportações do país, sobretudo do agronegócio".

O documento foi assinado pelos governadores de São Paulo (João Doria), Espírito Santo (Renato Casagrande), Rio de Janeiro (Wilson Witzel), Minas Gerais (Romeu Zema), Rio Grande do Sul (Eduardo Leite), Santa Catarina (Carlos Moisés da Silva) e Paraná (Ratinho Júnior). O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também participou da reunião do Cosud. 

Doria já havia afirmado, pela manhã, estar preocupado com a situação das queimadas na Floresta Amazônica. O governador comentou que no cenário internacional existe "um inconformismo muito grande" em relação às políticas ambientais brasileiras. O governador disse existir um "risco real" de retaliação por parte da União Europeia. 

"Estivemos em Londres e, antes mesmo das queimadas nessa intensidade das últimas semanas, já se ouvia ameaças de investidores de redução de potencial de negócios no agro brasileiro. Perder o acordo com a União Europeia e grandes parceiros comerciais, num momento em que o País precisa ampliar as exportações e preservar empregos, já é mais uma notícia ruim para o Brasil", disse.

Doria também fez comentários sobre a possibilidade de a Finlândia banir a importação de carne brasileira, pedindo "calma e distensão" por parte do governo do Brasil. "Se nós partimos para a retaliação mútua, o prejuízo é geral. É ruim para todos. Todo e qualquer confronto nunca é construtivo. O Brasil tem que recuar e ter humildade para reconhecer alguns erros”, afirmou.

O governador afirmou ainda que o Brasil deve aceitar "toda e qualquer cooperação internacional" para acabar com as queimadas. Segundo Doria, o assunto foi abordado por vários governadores por WhatsApp.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), também disse que o cenário na Amazônia é preocupante e já planeja o contato direto com embaixadas do continente europeu. A medida é para evitar qualquer tipo de prejuízo quanto as exportações de produtos do Estado para outros países. 

“A nossa preocupação maior é com a biodiversidade, e também deixar claro para o mundo o nosso compromisso com o meio ambiente. O nosso Estado é um dos maiores exportadores do setor de agronegócio. Estamos tentando conquistar novos mercados, principalmente o europeu. A imagem abalada do Brasil em relação ao meio ambiente pode colocar tudo isso em risco. Vamos fazer contatos com embaixadas desses países para reafirmar o nosso compromisso ambiental”, garantiu Leite.

Maia diz que vai visitar líderes europeus para 'limpar' imagem do Brasil no exterior

Maia disse que pretende visitar líderes europeus para "limpar” a imagem do Brasil no exterior após a crise causada pelas queimadas da Floresta Amazônica e por comentários do presidente da República, Jair Bolsonaro. Maia confirmou que a ideia foi discutida com a ministra da agricultura, Tereza Cristina.

Segundo ele, as visitas devem ocorrer nos próximos dias. “Nós tivemos essa ideia junto com a bancada do agronegócio para mostrar que o Brasil não está nessa linha de desmatar. Se tem gente desmatando, tem que ser presa, punida”, enfatizou Maia.

O presidente da Câmara também informou que peticionou na tarde desta sexta-feira, 23, requerimento ao Supremo Tribunal Federal pedindo a liberação de R$ 1 bilhão dos recursos do Fundo da Petrobras. O objetivo, segundo ele, é o “descontingenciamento do Ministério do Meio Ambiente, principalmente na área de fiscalização que cuida das queimadas”. Maia afirma que pelo menos R$ 800 milhões serão destinados aos projetos voltados para esse setor e R$ 400 milhões para a região amazônica. 

Uma comissão externa será criada pelos deputados para acompanhar a situação das queimadas na Amazônia. O grupo será formado por especialistas da área que vão avaliar e buscar medidas para o enfrentamento da crise. “Nós vamos criar um grupo de pessoas que entendam do tema para visitar as regiões prejudicadas. Assim, elas vão poder trazer ao parlamento ideias, projetos de leis que possam ser implementadas e também cobrar do governo”.

Governadores também pedem inclusão de Estados e municípios na reforma da Previdência

Na carta assinada pelos integrantes do Cosud, os governadores também defenderam a inclusão dos Estados e municípios na proposta de emenda constitucional da reforma da Previdência, "conservando a competência dos Estados para legislarem sobre inatividade e pensões dos policiais militares e bombeiros militares em complemento ao projeto aprovado pela Câmara dos Deputados".

Os governadores também pediram a rápida aprovação da PEC 98, que trata de cessão onerosa. Eles reivindicaram ainda que pelo menos metade dos valores recebidos em concessões de rodovias federais e partilha do pré-sal sejam destinados a projetos de infra-estrutura nos Estados.  

Na noite dessa sexta-feira, 23, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), recebeu na residencial oficial Maia e alguns governadores. Doria não apareceu. 

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