Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Doria anuncia apoio à reeleição de Maia e diz que bancada do PSDB deve votar nele

Em São Paulo, governador adiantou que a bancada federal do PSDB deve votar na recondução do presidente da Câmara dos Deputados ao cargo; Maia disse que não tratou da sucessão, que será discutida com Alckmin

Marcelo Osakabe e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2019 | 13h06

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou apoio à reeleição do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM). Os dois se encontraram na manhã desta sexta-feira, 4, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, dois dias após o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, fechar com a candidatura de Maia. Oficialmente, a visita foi de cortesia e, segundo eles, não foi discutida a disputa no Congresso. Caso o apoio do PSDB se concretize, Maia poderá ter ao menos 174 votos. PSL, PRB e PSD já anunciaram apoio à recondução do atual presidente da Câmara.

"Eu, como governador do Estado, sou favorável à recondução de Maia para a presidência da Câmara. Posso adiantar que a bancada federal do PSDB, majoritariamente, deverá votar em Maia", disse o tucano que, no entanto, salientou que a orientação deve ser do partido, presidido por Geraldo Alckmin.

Segundo Maia, a reunião entre os dois foi de caráter institucional e já estava agendada, uma vez que o parlamentar não conseguiu acompanhar a posse de Doria por estar no Rio. O demista, assim, tenta evitar algum desconforto com o atual presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, que, em tese, teria a primazia em conduzir as negociações.

Contudo, desde as eleições de outubro, Doria tenta tomar frente da condução, ainda que informal, do partido. Em novembro, ele se antecipou a Alckmin, que não havia ainda definido se ficaria ou não no cargo, e lançou o deputado federal Bruno Araújo (PE) à presidência do PSDB e defendeu publicamente que o partido assumisse uma posição mais conservadora nos costumes, em alinhamento ao pensamento de Bolsonaro.

O encontro entre Maia e Doria também reforça a aproximação entre os dois políticos que, em novembro, depois da eleição, já haviam se encontrado, em São Paulo. Tucano com o cargo de maior expressão dentro do partido, o governador quer ganhar o controle da sigla, hoje formalmente nas mãos de Geraldo Alckmin. Para isso, ele conta com o apoio dos demais governadores da legenda, Eduardo Leite (RS) e Reinaldo Azambuja (MS). 

Doria tenta aumentar sua influência no comando nacional do PSDB e reforçou sua aproximação com Maia após ser eleito governador. Na Câmara, a legenda tucana ainda não oficializou sua posição em relação à eleição para a Mesa Diretora. Mas há indicação de que isso aconteça. No último dia 2, o líder do partido na Casa, Nilson Leitão (MS), declarou que a tendência do PSDB é apoiar Maia.

O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, afirmou nesta sexta-feira em entrevista à Eldorado que o apoio de seu partido à candidatura de Rodrigo Maia (DEM) à reeleição na Câmara pode representar uma aproximação do PSL com outras siglas, como o PSDB e o MDB. "O PSL tem todo interesse que todos os partidos se aglutinem porque Maia está imbuído dos melhores propósitos e a gente quer reformas", disse Bivar à rádio.

Questionado se isso representaria uma aproximação do PSL com partidos como o PSDB e MDB, Bivar respondeu: "Sim, com certeza. Ele (Maia) poderia ser ser eleito por aclamação. A gente quer ganhar a eleição, para dar viabilidade a uma agenda que melhora nosso país. Não é governo, partido. É o Brasil que está acima de tudo.". 

Na quinta-feira, PSLPRB e PSD anunciaram apoio formal a Maia. O PSD elegeu 34 deputados para a nova legislatura. O PSL terá ao menos 52 parlamentares na Casa – o número deve crescer já que eleitos já sinalizaram a possibilidade de migrar para a legenda de Bolsonaro. Já o PRB, terá 30 deputados. Com isso, se os deputados forem fiéis às orientações de suas lideranças, Maia poderá ter ao menos 145 votos, incluindo nesta conta os 29 do próprio DEM na Câmara.

Disputa pelo Senado

Após declarar apoio à candidatura de Maia à presidência da Câmara, o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, tenta construir uma estratégia para evitar que Renan Calheiros (MDB-AL) volte a presidir o Senado. O emedebista, que apoiou Fernando Haddad (PT) na eleição presidencial deste ano, é considerado um nome hostil ao novo governo por aliados de Bolsonaro. Renan conta com o apoio de parte da bancada petista na Casa.

O PSL articula a construção de um consenso entre os senadores que já se movimentam como pré-candidatos à presidência da Casa e fazem oposição a Renan. Ontem, o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE), confirmou o nome do senador eleito Major Olímpio (SP) para a presidência do Senado. Líderes do PSL admitem, porém, que a candidatura é uma estratégia para valorizar o “passe” do partido de Bolsonaro na negociação por cargos na Mesa Diretora. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Olímpio admitiu que desistirá da disputa se outro aliado se destacar como candidato anti-Renan.

Mais conteúdo sobre:
João DoriaRodrigo Maia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.