Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Doria diz que Alckmin ficou ‘constrangido’ com acusações

Governador nega ter recebido da Odebrecht recursos via caixa 2 e lembra Mário Covas para se defender de denúncias

Valmar Hupsel Filho ENVIADO ESPECIAL / FOZ DO IGUAÇURené MoreiraESPECIAL PARA O ESTADO / FRANCA, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2017 | 05h03

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou ontem que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) está “muito constrangido” com a citação de seu nome em delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Três delatores afirmaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) que um cunhado de Alckmin recebeu R$ 10,7 milhões via caixa 2 do Setor de Operações Estruturadas – o departamento da propina. O governador nega.

“Muito constrangido, muito constrangido”, disse Doria ao ser questionado sobre a reação do governador, de quem ele é um dos mais próximos aliados. As citações a Alckmin foram encaminhadas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“Evidentemente que alguém que tem uma vida limpa, construída com modéstia, como ele tem, fica constrangido diante dessas circunstâncias”, disse Doria em Foz do Iguaçu, onde participou pela primeira vez como prefeito do Fórum de Líderes Empresariais, que está em sua 16.ª edição e é organizado pelo Grupo Doria, do qual até ano passado era presidente.

Alckmin, em nota, afirmou que não pediu ou recebeu recursos irregulares. “Jamais recebi um centavo ilícito. Da mesma forma, sempre exigi que minhas campanhas fossem feitas dentro da lei.”

Apoio. Recebido com faixa de apoio durante visita a Patrocínio Paulista, Alckmin citou o governador Mário Covas (1930-2001) para se defender das denúncias, quando foi questionado se temia perder prestígio. “Mário Covas dizia que o povo erra menos do que as elites”, disse, garantindo acreditar que a população “vai separar as coisas”. “Tenho 40 anos de vida pública, modesta e dedicada à nossa população”, afirmou.

Perguntado se os partidos sobreviverão, ele disse que o Brasil precisa de reforma política. “Você não tem 35 ideologias”, afirmou, ao criticar o número de siglas. “Então é partido-empresa para pegar recursos do Fundo Partidário, isso é um absurdo.”

“Evidentemente que alguém que tem uma vida limpa, construída com modéstia, fica constrangido diante das circunstâncias.”

Prefeito agradece citações em pesquisa. Apesar de reafirmar não ser potencial candidato à Presidência da República, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que são “lisonjeiras” as pesquisas com seu nome. “Mostram um índice de aprovação elevado. Ninguém frequenta pesquisas nacionais se tivesse fazendo uma má gestão”, afirmou.

Pesquisa Ibope divulgada pelo Estado anteontem coloca Doria em iguais condições de disputa com três tucanos – os senadores Aécio Neves (MG), José Serra (SP) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Eles estão empatados em número de eleitores potenciais. Doria aparece com 24%, um ponto porcentual a menos do que Serra. Alckmin e Aécio obtiveram 22% cada. 

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