Doria defende saída de Aécio do comando do PSDB

Prefeito de São Paulo afirma que senador mineiro deveria deixar partido ser 'conduzido por outro nome, eleito', em entrevista a rádio pernambucana

Anderson Bandeira, especial para o 'Estado', O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2017 | 17h15

RECIFE- O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), defendeu nesta segunda-feira, 26, a saída definitiva do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) do comando da legenda. Alvo de nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), Aécio está licenciado do comando do partido após vazamento de gravações em que supostamente teria pedido propina no valor de R$ 2 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista. Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, Doria colocou que o tempo do correligionário no comando da sigla passou e que Aécio precisa deixar o cargo.

"Tenho respeito por Aécio, mas ele tem que concentrar o tempo dele na própria defesa e deixar que o partido seja conduzido por outro nome, eleito", disse o tucano, considerando que o mesmo rigor com que a legenda tem criticado o PT  deve ser aplicado no combate às irregularidades internas tucanas. 

Questionado sobre a recente defesa de eleições diretas feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Doria divergiu. Afirmou que a antecipação de uma eleição só agravaria a situação do País. 

À rádio pernambucana, o prefeito de São Paulo defendeu a permanência do partido na base aliada do Planalto sob o argumento de que "o apoio do PSDB é ao Brasil e não a Temer". "Os fatos são graves, mas não apresentam abandono ao governo Temer", ponderou. 

ELEIÇÃO

Doria também comentou a recente pesquisa do Datafolha que coloca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em primeiro lugar na disputa de 2018. Após ter declarado que queria ver o petista derrotado nas urnas, Doria avaliou que as pesquisas revelam um momento, o que pode ser alterado. "O PSDB pode trazer algo novo para 2018. Eu mesmo comecei a campanha em São Paulo (2016) com 2% e ganhamos em primeiro turno", disse o tucano. Na sua avaliação, apesar de despontar na primeira posição, o petista tem alta rejeição sobretudo no eixo Sul-Sudeste. Da ala tucana, ele voltou a defender o nome do governador  de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para a disputa. "Tenho muito respeito por Alckmin e o governador tem toda a preferência e o meu apoio. Ele será o candidato", afirmou.

O tucano ainda comentou as possíveis postulações presidenciais afirmando que a ex-ministra Marina Silva (Rede) "não resistiria a um debate na televisão" e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) seria "um caso de análise da psiquiatria brasileira". 

Vice-líder nas pesquisas de intenção de voto, o deputado Jair Bolsonaro (PSC) foi visto por Doria como "mais direitista e extremista e tem encantado os jovens". Para o pleito de 2018, ele não considera fundamental o apoio do PMDB. 

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