FELIPE RAU/ESTADÃO
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Doria defende que Aécio se licencie do PSDB: ‘Seria um gesto grandioso’

Executiva tucana deve julgar pedido para que ex-presidenciável seja expulso do partido

Sonia Racy e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2019 | 23h40

No momento que o PSDB paulista amplia a pressão pela expulsão do deputado federal Aécio Neves da sigla, o governador João Doria defendeu nesta quarta-feira, 14, que o ex-presidenciável se licencie do partido para se defender no conselho de ética. 

“Essa é uma decisão do diretório nacional, mas entendo que, por bom senso, seria um gesto positivo e grandioso do deputado Aécio Neves pedir a sua licença do PSDB para que possa se defender confiando na Justiça e em sua inocência. Isso evitaria um processo no PSDB que sempre pode provocar desconfortos e dissabores a ele”, disse o governador.

A executiva tucana deve se reunir na próxima semana para instalar a comissão que julgará um pedido de expulsão de Aécio feito pelo diretório paulistano do PSDB e corroborado pelo diretório estadual.

O grupo político de Doria prega uma “faxina ética” na legenda e quer que ela comece pelo ex-senador – Aécio virou réu na Justiça Federal em São Paulo, acusado de receber propina de R$ 2 milhões do grupo J&F e tentar obstruir investigação da Lava Jato.

Doria escalou interlocutores para tentar convencer Aécio a aceitar a proposta de se licenciar, mas o deputado mineiro resiste a ideia.

O governador participou na noite dessa quarta-feira de um jantar em sua homenagem no apartamento de seu advogado criminalista, Fernando José da Costa. Cerca de 80 convidados estavam presentes, entre advogados, desembargadores, secretários e empresários. 

Doria também critica fala de Bolsonaro sobre fundo para Amazônia

Em conversas com jornalistas após o jantar, Doria também criticou fala de Jair Bolsonaro que desdenhou da decisão do governo alemão de acabar com um fundo de amparo à proteção da Amazônia. O presidente disse a Alemanha devia usar o fundo de 35 milhões de euros para restaurar o próprio país. 

“Não quero fazer juízo sobre as manifestações do presidente Bolsonaro, mas nós aqui não teríamos essa posição. Defendo o diálogo, independente da posição ideológica de quem está no poder Devemos ter a separação entre comportamento ideológico, que pode eventualmente ser distinto daquele que nós praticamos. Mas no âmbito da diplomacia temos que preservar as relações através do diálogo. Acabo de voltar da China, que é um país comunista. Todos sabem que tenho uma posição antagônica ao comunismo e a antiesquerda, embora não seja de direita, Mas como negar a importância da China?” 

Antes de fazer um longo discurso para os convidados no jantar, Doria foi saudado pelo anfitrião como candidato a presidente do Brasil em 2022. O governador abriu sua fala dizendo que não é de esquerda, nem direita, mas de centro. E defendeu que o governo “dialogue com todos os setores da sociedade civil”.

Em seu discurso no jantar, Doria enfatizou que o governo tem que dialogar "com todos os setores da política e da sociedade civil". Ao relatar os bastidores da negociação com GM para manter uma fábrica no Estado, contou que recebeu "um beijo" de um sindicalista do PT. 

Para amenizar o contraponto, Doria afirmou em sua fala não é contra Bolsonaro e não quer "antagonizar" com ele, mas reforçou que o PSDB não terá alinhamento direto com o governo. O governador também voltou a dizer que "acabou o gerúndio" no PSDB e que o partido "saiu do muro".

 

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