GABRIELA BILO/ESTADÃO
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Doria anuncia como 'novas' medidas já tomadas por antecessores

Entre as medidas estão a utilização de aplicativos para locomoção e abertura da moradia de inverno do governador como centro cultural

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2018 | 19h10
Atualizado 01 de novembro de 2018 | 12h32

Eleito governador de São Paulo com 51,7% dos votos válidos, o ex-prefeito da capital João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira, 31, que vai estabelecer uma série de medidas que, segundo ele, tem por objetivo economizar e acabar com “mordomias de secretários estaduais e representantes da elite do governo”. Entre elas está a utilização de aplicativos para locomoção. Doria, no entanto, não menciona que a mesma decisão já foi tomada por seu padrinho político, Geraldo Alckmin (PSDB), e que está em vigor.  

“Vamos devolver centenas de automóveis alugados e vender outras centenas que estão sendo utilizados, ao meu ver, de forma inadequada. E o que vamos fazer? Aplicativos, mais fácil, mais rápido, mais moderno. Além disso, já temos táxis também por aplicativo em todo o Estado de São Paulo. É a forma de fazer um governo diferente e mais eficiente”, diz o tucano, em vídeo divulgado à imprensa por sua assessoria.

Em dezembro do ano passado, o então governador Geraldo Alckmin concluiu uma licitação, vencida pelo aplicativo Cabify, para substituir 1,8 mil carros do governo e gerar uma economia de R$ 57 milhões por ano. Ele chegou a gravar uma corrida feita com uma motorista da empresa onde explicou a medida adotada.

Questionado pelo Estado o motivo de anunciar uma medida que já estava em vigor, Doria afirmou, por meio de sua assessoria, que a proposta de reduzir ou eliminar veículos será uma ampliação da iniciativa adotada pelo governador Geraldo Alckmin. “Ainda não é possível dimensionar o número de veículos que serão devolvidos ou vendidos da frota estadual. A ampliação será possível porque antes municípios que não contavam com serviços de aplicativos de transporte ou táxis cadastrados  agora já contam com o sistema.”

Nesta terça-feira, 30, o governador eleito também deixou de citar que o Palácio da Boa Vista, "a moradia de inverno do governador", já funciona como um centro cultural ao anunciar, também por vídeo, que vai acabar com essa história de governador de São Paulo usufruir de mordomias, como palácios de inverno ou de verão. 

“Ali não será mais um espaço de lazer para famílias de governadores, de vice-governadores ou amigos do governador. Vai ser um palácio frequentado por todos, será um centro cultural, um centro gastronômico para ajudar o turismo de Campos do Jordão”, afirmou Doria, que cogita ainda fazer uma concessão para repassar a administração do local à iniciativa privada.

Ao Estado, o governador eleito não explicou porque não informou que o Palácio da Boa Vista já é um centro cultural.

O Palácio da Boa Vista é considerado um museu paulista desde 1970, quando o governo abriu o espaço para visitação pública. Lá estão expostas obras de importantes artistas nacionais, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Candido Portinari. Segundo o site oficial do governo, a visita custa R$ 5 e dura uma hora.

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