Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Doria age para isolar adversários internos que defendem prévias

Prefeito de São Paulo tenta lançar seu nome ao governo paulista sem criar uma disputa entre integrantes do PSDB

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 05h00

Aliados do prefeito de São Paulo, João Doria, tentam isolar o ex-senador José Aníbal e o sociólogo Luiz Felipe d’Ávila no PSDB para impedir que o partido realize prévias com objetivo de definir o candidato tucano ao governo paulista.

A proposta de lançar o nome de Doria sem submetê-lo a disputa interna será apresentada na próxima segunda-feira, 5, em uma reunião da executiva da legenda na capital.

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O primeiro movimento dos correligionários do prefeito foi tentar “espelhar” em São Paulo uma resolução do diretório nacional que exige no mínimo dois anos de filiação para os pré-candidatos. Isso tiraria d’Ávila das prévias, já que ele assinou sua ficha há seis meses. 

Como a cúpula tucana rejeitou a proposta, Doria teria tentado pessoalmente convencer o sociólogo a apoiá-lo. “Tivemos uma conversa e ele me pediu para juntarmos esforços”, disse d’Ávila, que rejeitou a aproximação. Procurada, a assessoria do prefeito não quis comentar a declaração. 

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Outro pré-candidato, o secretário de Desenvolvimento Social do Estado, Floriano Pesaro, afirmou ao Estado que abre mão da disputa se o prefeito colocar seu nome. 

Em outra frente, o deputado estadual Roberto Massafera, líder do PSDB na Assembleia Legislativa, divulgou anteontem uma carta “oficializando” o apoio a Doria e pedindo para que os demais postulantes ao cargo desistam da disputa em “prol da unidade partidária”.

O documento causou mal-estar na legenda, já que foi assinado por apenas sete dos 22 parlamentares da bancada. O gesto foi considerado uma “trapalhada” no entorno do prefeito. 

Resposta. Em resposta à ofensiva de Doria, Aníbal e seus aliados defenderão na reunião do PSDB na segunda-feira que as prévias ocorram em maio, e não em março como quer o prefeito.

O ex-senador, que é presidente do Instituto Teotônio Vilela, centro de estudos e formação política do PSDB, quer que sejam feitos pelo menos dez debates entre os pré-candidatos. Já Doria não assume publicamente a pré-candidatura para evitar o desgaste político.

“Doria está fugindo do debate, das prévias e da Prefeitura”, disse Aníbal ao Estado. “Doria está usando a máquina para fragilizar o partido na capital”, completou. O prefeito não quis comentar a declaração. 

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“Com o novo cenário no PSDB nacional, que não vai mais fazer prévias para escolher o candidato à Presidência, entendo que não faz mais sentido manter as prévias em São Paulo”, rebateu o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, aliado de Doria. 

O acirramento da disputa interna preocupa o governador Geraldo Alckmin, que até o momento não se envolveu no processo. Segundo auxiliares, ele teme que sua base chegue dividida no maior colégio do País. Uma votação expressiva no Estado é considerada determinante para compensar a vantagem da esquerda na Região Nordeste.

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