Dono do castelo faz sua defesa em conselho

Deputado, investigado por uso irregular de dinheiro público, não respondeu a perguntas e abusou de ironia

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

Depois de dois meses de silêncio, o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) prestou depoimento ontem ao Conselho de Ética da Câmara e aproveitou a oportunidade para atacar o DEM, partido que o desfiliou em fevereiro, e em especial o corregedor da Casa, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), a quem chamou de seu "perseguidor e algoz". Ouça os principais trechos do depoimento do dono do casteloEm duas horas e meia, Moreira apresentou sua defesa, mas não respondeu a perguntas dos conselheiros, porque a sessão teve de ser interrompida para o início dos trabalhos no plenário. Com isso, não foram esclarecidas as principais dúvidas sobre a contratação de serviços de segurança, pagos com a verba indenizatória. Investigação preliminar da comissão de sindicância da Corregedoria apontou suspeitas de apropriação indevida dos recursos pelo deputado, que contratou empresas de sua propriedade. Moreira foi irônico ao citar as exigências para que comprovasse a prestação dos serviços de segurança e até ao falar do castelo de sua propriedade, avaliado em R$ 25 milhões, na zona da mata mineira. O ex-corregedor da Câmara, sucedido por ACM Neto depois de renunciar ao cargo, disse que construiu o castelo nos anos 80, quando era empresário e não tinha atividade parlamentar. E que, em 1993, transferiu a propriedade para os filhos. Uma nova sessão foi marcada para terça-feira, mas Moreira não garantiu presença. O colegiado tem poderes apenas para convidar e não para convocar processados e testemunhas. Sobre a dificuldade de comprovar a prestação de serviços, Moreira apelou para a ironia. "Quem gastar com segurança vai ter que filmar o serviço? Quem almoçar vai ter que ter uma declaração do garçom de que o deputado estava se alimentando depois de ter gasto energia em uma atividade política?", disse o deputado. PEDIDOMoreira apresentou requerimento para que os deputados do DEM integrantes do conselho sejam considerados sob suspeição e não participem da investigação e do julgamento de seu processo. Como corregedor, ACM Neto é integrante nato do conselho, mas se declarou impedido de participar do processo. Outra titular é a deputada Solange Amaral (RJ) e o partido tem ainda Roberto Magalhães (PE) na suplência. O dono do castelo acusou ACM Neto de ter liderado um movimento de retaliação e denúncias depois que decidiu ser candidato à corregedoria da Câmara à revelia do partido, em candidatura avulsa. Moreira venceu, mas ficou apenas uma semana no cargo. Entre várias acusações ao atual corregedor, ele afirmou: "A comissão de sindicância constituiu como seu presidente o homem diretamente interessado em ceifar meu mandato e que foi responsável pelo meu achincalhamento público". O presidente Michel Temer (PMDB-SP), saiu em defesa de ACM Neto e atestou a lisura da investigação. Acompanhado pelos dois filhos e dois advogados, Moreira teve no deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), que disse se lixar para a opinião pública e foi destituído da relatoria do processo, seu principal defensor entre os conselheiros.

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