Dono da empresa de táxi aéreo mente em depoimento

O empresário Arlindo Dias Barbosa, dono da empresa de táxi aéreo MS, contatada para transportar o R$ 1,75 milhão do dossiê contra tucanos de São Paulo para Cuiabá, omitiu fatos relevantes da Polícia Federal e pode ser indiciado por falso testemunho. No seu depoimento, prestado na última quarta-feira em Campo Grande (MS), ele disse que não conhecia Valdebran Padilha, o petista que o contatou para fretar o vôo, nem sabia "qual era o passageiro, o que levaria de bagagem, nada, nada".Nesta quinta-feira, depois de retornar para Cuiabá, o delegado Diógenes Curado, encarregado do caso, ficou sabendo que Arlindo não só conhece Valdebran de longa data, como mantém com ele relações familiares e empresariais. As famílias Barbosa e Padilha são sócias numa outra empresa de táxi aéreo, a Airtechs Indústria Aeronáutica Brasileira Ltda, na cidade de Santo Antônio do Leverger, a 150 quilômetros de Cuiabá. "Ele não podia ter omitido esse fato", queixou-se Curado, que decidiu tomar novo depoimento do empresário, agora na condição de suspeito de envolvimento no caso.A Airtechs está registrada em nome do irmão de Arlindo, o empresário Orides Barbosa e de duas filhas deste, Ana Laura Cintra Barboza e Julianna Cintra Barboza. O delegado requisitou cópia da ata de constituição da empresa. Valdebran também será convocado para novo depoimento a fim de esclarecer as contradições na versão que deu para o transporte do dinheiro. O vôo, que sairia de Campo de Marte até Cuiabá no dia 15 de setembro, foi abortado porque, horas antes, Valdebran e o também petista Gedimar Passos foram presos no hotel Íbis Congonhas com as malas de dinheiro.No depoimento, Arlindo disse ao delegado que recebeu um telefonema de "um homem que se identificou como Valdebran" e que combinou a viagem por R$ 16 mil. Acrescentou que dois dias depois desistiu do negócio, por considerar que estava "muito confuso" e garantiu que não sabia o que transportaria.Chefe da máfia dos sanguessugas e autor do dossiê, destinado a prejudicar candidaturas tucanas, o empresário Luiz Antônio Vedoin, disse no seu depoimento que o dinheiro do seu pagamento viria de São Paulo num vôo fretado, a fim de evitar os riscos do transporte num avião de carreira.

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