Dona Ruth defende candidatura de mulher ao Planalto

A primeira-dama Ruth Cardoso defendeu ontem, durantelançamento do banco de dados do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, a candidatura de uma mulher ao Palácio do Planalto. "É ótimo que tenhamos cada vez mais candidatas e a possibilidade de uma candidata a presidente da República", afirmou. "Isso é bom para a mulher e para o País." Sobre o crescimento nas pesquisas da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), Ruth Cardoso evitou referências diretas ao nome de Roseana, e reafirmou: "é muito bom ter uma candidata mulher". A presidente do Programa Comunidade Solidária evitou também comentários relativos à presença feminina na chapa presidencial da basegovernista. "Isso eu não sei; é uma outra análise", afirmou.Ruth Cardoso ressaltou ainda a importância da igualdade entre homens e mulheres na divisão de cadeiras no Congresso. Mas ao ser indagada sobre qual a importância da candidatura de uma mulher, a primeira-dama disse que os jornalistas deveriam saber. "Se não sabem, deveriam estudar." Não faltaram cravos brancos e declarações apaixonadas às mulheres durante a solenidade no Ministério da Justiça. O ministro José Gregori, que deixará o ministério para ocupar o posto de embaixador em Portugal,preferiu não comentar a candidatura de Roseana Sarney nem a declaração de Ruth Cardoso. E fez uma homenagem às mulheres mais "importantes" de sua vida. "O que recebi das mulheres é a melhor parte da minha vida", disse. Ele ganhou cravos da presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Solange Bentes.Em um de seus últimos discursos no cargo, José Gregori não conseguiu esconder o abatimento. E citou a mãe, Esther, a mulher, Maria Helena, as filhas e netas. Os agradecimentos mais eloqüentes, porém, foram dirigidos a Ruth Cardoso, "conselheira e apoiadora das horas impossíveis" e à secretária nacional de Justiça, Elizabeth Süssekind "guerreira sem violência"."Com o coração na mão, digo que toda saída tem a vantagem de impor a sinceridade", afirmou José Gregori. "Mais do que nunca, neste mundo desesperançado de racionalidade, acho que o papel da mulher tem de aumentar." Desde que assumiu o cargo de ministro da Justiça em abril de 1999, substituindo o advogado paulista José Carlos Dias, José Gregori costuma fazer referências à amizade com Ruth Cardoso. Ele nunca deixou de fazer essa afirmação nos momentos em que o corte de sua cabeça era previsto nos corredores e gabinetes de Brasília. Ruth Cardoso é o elo com o Palácio do Planalto que o ministro sempre fez questão de ressaltar.

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