Wilson Pedrosa/AE - 14/07/2011
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Dona de construtora, mulher de diretor do Dnit já ganhou R$ 18 mi em obras

Empreiteira Araújo, de Ana Paula Batista Araújo, foi contratada para tocar obras vinculadas a convênios com o órgão que José Sadok de Sá hoje comanda

Leandro Cólon, de O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2011 | 01h00

BRASÍLIA - A Construtora Araújo Ltda, da mulher de José Henrique Sadok de Sá, diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), assinou contratos que somam pelo menos R$ 18 milhões para tocar obras em rodovias federais entre 2006 e 2011, todas vinculadas a convênios com o órgão.

 

Sadok hoje acumula o cargo de diretor-geral interino do Dnit em substituição a Luiz Antônio Pagot, que tirou férias após ameaça de ser demitido em meio ao escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes.

 

A mulher de Sadok, Ana Paula Batista Araújo, é dona da Construtora Araújo, contratada para cuidar de obras nas rodovias BR-174, BR-432 e BR-433, todas em Roraima e ligadas a convênios com o Dnit, principal órgão executor do Ministério dos Transportes. A aplicação de aditivos, que aumentam prazos e valores, ocorreu em todos os contratos. Sadok trabalhou em Roraima em 2001, no antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), como diretor de obras.

 

Em entrevista ontem ao Estado, Sadok de Sá, contou que conhece a empresária desde 2001 e vive com ela há pelo menos quatro anos. "É minha mulher", disse. Ele alegou que, apesar de serem obras vinculadas a convênios com o Dnit, os contratos são assinados com o governo de Roraima por licitações. "Nunca me meti na empresa dela. O contrato do Dnit é com o Estado. O Estado pega e licita as obras", disse.

 

Irregularidades. A Construtora Araújo assinou em abril de 2006 um contrato de dois anos, no valor de R$ 7,2 milhões, com o governo de Roraima para obras de melhoria na BR-174, rodovia apontada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como foco de irregularidades.

 

A obra tocada pela mulher de Sadok refere-se a um dos lotes de um convênio firmado entre o governo de Roraima e o Dnit, no valor inicial de R$ 19,2 milhões. Desde 2006, a União liberou ao menos R$ 200 milhões para melhorias nessa rodovia, segundo dados do Portal da Transparência, do próprio governo.

 

Só esse contrato da Construtora Araújo para a BR-174 rendeu três aditivos. Ana Paula Araújo aparece assinando o terceiro, em 2008. Em outros, ela nomeou procuradores. Um dos aditivos somou mais R$ 1,5 milhão ao contrato e outro aumentou o prazo para três anos de vigência.

 

Já o próprio convênio do governo de Roraima com o Ministério dos Transportes recebeu pelo menos sete emendas durante sua execução.

 

Em maio de 2009, o Ministério dos Transportes e o governo de Roraima assinaram um convênio de R$ 16 milhões para obras na BR-433. Em dezembro do mesmo ano, a empresa da mulher do diretor do Dnit assinou um contrato de dois anos no valor de R$ 6,5 milhões para manutenção da rodovia. O contrato está vigente. Já foram feitos dois aditivos, o último no dia 18 de maio, com o objetivo de "alteração dos qualitativos" decorrente de "revisão em fase de obras".

 

Em 10 de outubro de 2007, a Construtora Araújo firmou um contrato, também de dois anos, no valor de R$ 1,8 milhão para obras na BR-432, objeto de um convênio de R$ 17 milhões do Dnit com o governo de Roraima. Três aditivos foram celebrados, um dos quais acrescentou R$ 842 mil ao contrato e mais um ano de vigência, até novembro do ano passado.

 

Todas essas estradas federais estão sob supervisão de execução do Dnit.

 

Carreira. Sadok foi chefe de gabinete da diretoria-geral do Dnit entre 2002 e 2006. Desde então, é o diretor executivo do órgão após ter seu nome aprovado pelo Senado. O relatório votado pelo Senado a seu favor foi feito pelo senador João Ribeiro (TO), do PR, partido que comanda o Ministério dos Transportes.

 

Ao ser sabatinado no Senado em 6 de junho de 2006, Sadok agradeceu ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Paulo Passos - hoje nomeado por Dilma titular da pasta após a queda de Alfredo Nascimento (PR) - por terem indicado o nome dele para o cargo. Foi elogiado por seu "relacionamento extraordinário", nas palavras do senador João Ribeiro (TO), com o Congresso. Coube a Sadok receber, no último dia 5, a determinação de Nascimento de suspender as licitações do setor após a revelação, pela revista de Veja, de corrupção na pasta.

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