Dom Cappio diz que obras do São Francisco são um 'absurdo'

Bispo participou de audiência da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado

Agência Brasil

14 de fevereiro de 2008 | 16h33

O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, disse nesta quinta-feira, 14, que as obras de transposição do Rio São Francisco são um "verdadeiro absurdo". Ao ser questionado sobre uma possível paralisação das obras, o bispo afirmou que a transposição não irá acontecer. "A transposição de águas no São Francisco não vai acontecer, pode escrever. Ela ofende todos os princípios éticos, econômicos, sociais e ambientais, não é possível que um absurdo dessa natureza possa durar tanto tempo", disse. O bispo acrescentou que sua principal preocupação é com relação à população que tem o direito ter água de qualidade para sobreviver.  Veja Também:Entenda a transposição do São Francisco  "Se esse projeto tivesse como finalidade levar água para quem tem sede, como a propaganda enganosa que o governo faz afirma, mas acontece que a destinação das águas, o endereçamento das águas não é para a sede humana e animal, mas sim, o agronegócio e o hidronegócio. E isso somos contrários", afirmou o bispo que, em protesto pelas obras de transposição, fez greve de fome , no fim do ano passado, por 24 dias.  Dom Cappio participou nesta quinta-feira de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado.  Ajustes O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, afirmou que é possível fazer ajustes para melhorar o projeto de transposição do Rio São Francisco, mesmo que as obras já estejam em andamento. O ministro falou logo após deixar o debate.  Segundo Geddel, algumas críticas foram incorporadas e os ajustes já começaram a ser feitos. "A criação do programa Água para Todos responde às criticas de quem diz que queremos levar água para gente distante do rio quando há pessoas ali perto que não têm água. O fato de nós criarmos um programa para levar água para quem está até 15 quilômetros da margem do rio já é um atendimento a críticas", disse.  De acordo com Geddel, as obras estão seguindo o cronograma e o eixo leste, que passa pelos estados de Pernambuco e da Paraíba, deverá estar concluído até 2010. O projeto de transposição do Rio São Francisco "foi evoluindo" até se transformar em uma proposta merecedora de apoio. A afirmação foi feita pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, em audiência pública no Senado para debater sobre o projeto de transposição do Rio São Francisco.  No discurso, o ministro citou o senador César Borges (PR-BA) que o criticou por ter mudado de posição em relação ao projeto de transposição do Rio São Francisco. Segundo o ministro, as pessoas têm o direito de mudar de idéia, depois de ouvir argumentos. O senador respondeu que tem o ministro como "pessoa séria e não leviana", que se posicionou contra o projeto, inicialmente, por conhecer as falhas.  O senador acrescentou que Geddel mudou de opinião pelo "Diário Oficial, quando foi nomeado ministro". O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, tentou impedir que a discussão continuasse, mas o ministro respondeu que não acreditava que o senador tenha mudado de partido "por Diário Oficial".  Geddel também afirmou que não tem nada pessoal contra o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, que é contrário à transposição. Ele disse que as diferenças entre os dois se restringem ao campo das idéias.

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