Doleiro recebeu ligações de celular corporativo da Petrobrás

Quebras de sigilo das linhas usadas por Youssef mostram que ele atendeu em 2010 três telefonemas de aparelho da estatal

Fabio Fabrini e Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2014 | 22h28

BRASÍLIA - Acusado pela Polícia Federal de integrar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e corrupção que envolvia pagamento de propina a políticos, o doleiro Alberto Youssef recebia ligações de um telefone da Petrobrás. Em maio de 2010, ele atendeu ao menos três telefonemas que partiram de um celular corporativo da empresa. 

Os dados constam das quebras de sigilo das linhas usadas por Youssef, às quais o Estado teve acesso, e reforçam que o vínculo do doleiro com a estatal é bem anterior à saída do ex-diretor Paulo Roberto Costa da Diretoria de Abastecimento. 

Preso no Paraná por suposta participação no esquema, Costa deixou o cargo na Petrobrás em abril de 2012. Conforme o inquérito da Operação Lava Jato, montou empresas de consultoria que desviavam recursos da estatal, via contratos superfaturados. 

Costa contou em delação premiada que um consórcio de empresas obteve contratos arranjados na Petrobrás. Em troca, elas pagavam propina de 3% sobre os negócios, que era repassada a políticos. Segundo as investigações, esse dinheiro era lavado pelo doleiro. 

As três ligações, de cerca de 50 segundos cada, foram feitas em 25 de maio de 2010, de um celular cadastrado na operadora em nome da estatal. Segundo relatório em poder da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobrás, os contatos foram feitos de Volta Redonda (RJ) para um celular do doleiro com DDD de Londrina (PR), mas que também estaria na cidade fluminense. 

Pelos dados do relatório, não é possível concluir qual é o código de área do celular da Petrobrás e o usuário da linha. Procurada, a companhia informou que ontem não teria tempo hábil para rastrear quem usava o celular corporativo, mas adiantou que tentará obter a informação. 

Youssef era usuário de cerca de 20 números de telefone. Os dados das quebras de sigilo dele e de Costa ajudarão a elucidar as relações dos dois com políticos e dirigentes da empresa, apostam os integrantes da comissão. Costa tem depoimento marcado para hoje na CPMI. 

Convite. Nesta terça-feira, 16, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, foi chamada à Controladoria-Geral da União (CGU) para tratar das investigações, abertas pelo órgão, sobre irregularidades na estatal. A CGU informou que a executiva foi convidada pelo ministro Jorge Hage para uma “reunião de trabalho” sobre as auditorias investigativas em andamento e o programa de demissão voluntária da estatal. Não se tratou de um depoimento, reiterou o órgão. 

A CGU toca desde dezembro de 2012 uma auditoria sobre a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). O trabalho ainda não foi concluído, passados 21 meses. Também há investigações em curso sobre supostas irregularidades em contratos com a Odebrecht; e denúncias de pagamento de propina a funcionários da petrolífera brasileira pela SBM Offshore, empresa com sede na Holanda.

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