Doleiro diz que aceita acareação com tesoureiro do PT

O doleiro Lúcio Bolonha Funaro disse hoje, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Organizações Não-Governamentais (ONGs), no Senado, que aceita participar de uma acareação com o tesoureiro do PT e ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), João Vaccari Neto.

ANA PAULA SCINOCA, Agência Estado

28 de abril de 2010 | 14h04

Funaro contou que se encontrou com Vaccari Neto "algumas vezes" e não uma única vez, como havia dito o tesoureiro petista em depoimento à mesma comissão. "Não conversei com o Vaccari sobre Bancoop nem sobre PT. Não tenho nada com o PT ou com qualquer partido político. O que eu posso falar é que os encontros que tive com ele foram sobre operações financeiras", afirmou.

O doleiro contou aos senadores que foi apresentado a Vaccari pelo então presidente do PL, deputado Valdemar da Costa Neto. Segundo Funaro, o tesoureiro petista tem "relação umbilical" com o Grupo Schahin. "O mercado (financeiro) todo diz isso", afirmou. O grupo, segundo Funaro, "é investigado pelo Ministério Público, pela Justiça Federal e pela Polícia Civil de São Paulo como um dos grupos que cometeram as maiores fraudes financeiras nos últimos anos".

O Grupo Schahin, disse Funaro, tem hoje, só com a Petrobras, US$ 7 bilhões de dólares em contratos. "Os contratos têm todo tipo de problema como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e conta laranja." Em seguida, o doleiro entregou ao presidente da CPI, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), uma série de documentos sobre o grupo.

Funaro também relatou que uma offshore com sede em Delaware, nos Estados Unidos, tem os mesmos acionistas que o grupo Schahin. A offshore teria recebido da Petrobras, segundo Funaro, US$ 1,5 bilhão, e repassado apenas US$ 10 dólares por ano para a empresa no Brasil para não pagar imposto.

Depoimentos

Na série de depoimentos que prestou ao Ministério Público Federal (MPF) em 2005, Funaro acusou o ex-ministro José Dirceu de se beneficiar pessoalmente dos negócios fechados por fundos de pensão sob controle do PT. O jornal O Estado de S. Paulo revelou que Funaro disse ao MP que tanto Dirceu quanto o PT teriam recebido "por fora" comissões de R$ 5,5 milhões em duas operações do fundo de pensão dos servidores do setor portuário - o Portus.

Funaro acusa o partido e o ex-ministro de causarem prejuízos milionários tanto ao Portus quanto ao Petros, fundo dos funcionários da Petrobras. Em março, a revista Veja revelou que Funaro também forneceu detalhes inéditos da maneira como os petistas teriam canalizado dinheiro para o caixa clandestino do partido. Apresentou, inclusive, o nome do que pode vir a ser o 41º réu do processo que apura o mensalão, o tesoureiro João Vaccari Neto.

Em 2003, enquanto cuidava das finanças da Bancoop, João Vaccari acumulava a função de administrador informal da relação entre o PT e os fundos de pensão das empresas estatais, bancos e corretoras. Segundo as denúncias, no entanto, ele tocaria o negócio cobrando propina.

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