Dois senadores pedem desligamento do Conselho de Ética

A decisão do plenário de barrar a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador Antonio Carlos Magalhães provocou reações drásticas.Hoje, em protesto contra a decisão de seus colegas, o líder do PT no Senado, Tião Viana (AQC), encaminhou projeto de resolução propondo a extinção da comissão e a revogação do Código de Ética. Dois senadores do PT, Jefferson Péres (PDT-AM) e Geraldo Mesquita (PSB-AC), - relator da proposta que recomendou a formalização de processo contra ACM - pediram para serem desligados do conselho."Manter o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, nessas circunstâncias, é perseverar no exercício da hipocrisia e do cretinismo parlamentar", diz Tião Viana nas justificativas do projeto de resolução. Para ele, o Conselho de Ética foi desmoralizado, já que o relatório aprovado propondo a abertura de procedimento contra o senador baiano foi derrubado pela Mesa-diretora, decisão confirmada anteontem pelo plenário.Segundo Jefferson Péres, o PDT não vai preencher a vaga deixada por ele no Conselho de Ética num gesto de protesto contra o arquivamento do pedido de cassação de mandato de ACM. "Entendemos que o Conselho de Ética perdeu sua razão de ser. Não queremos ser partícipes de uma encenação, nem usar o conselho como tribuna. Lá falará por nós nossa cadeira vazia", afirmou o pedetista.O senador Demóstenes Torres (PFL-GO) avalia que o Conselho de Ética não deve ser extinto, mas reformulado. Ele deve apresentar proposta para acabar com a fase preliminar em que o conselho investiga a denúncia contra um senador. Nesta fase preliminar, foi realizada sindicância que resultou na aprovação do relatório sugerindo a abertura de processo. ACM foi acusado de participar de esquema de escuta telefônica clandestina montado pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia. "Independentemente do voto, acabamos fazendo papel de palhaço", disse Torres. Ele votou pelo arquivamento do pedido de cassação, mas defende que o Conselho de Ética seja fortalecido. Ontem, por 49 votos a 25, o plenário do Senado manteve decisão de Mesa que rejeitou o relatório aprovado pelo colegiado.Veja o índice de notícias sobre o grampo na Bahia

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