Dois sem-terra são presos por 4 mortes em PE

Líder do MST assume assassinatos de seguranças: ?O que matamos não foram pessoas comuns?

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

22 de fevereiro de 2009 | 00h00

Dois integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) foram autuados por homicídio qualificado pela morte de quatro seguranças da Fazenda Consulta, em São Joaquim do Monte, no agreste pernambucano, no sábado. Segundo o delegado Luciano Francisco Soares, foram detidos Aluciano Ferreira dos Santos e Paulo Alves Cursino. Outros dois sem-terra também acusados das mortes estão foragidos - um não identificado e Romero Severino dos Santos, que foi ferido e se escondeu depois de ter sido atendido em um hospital de Agrestina.Foram mortos, a tiros, João Arnaldo da Silva, José Wedson da Silva, Rafael Erasmo da Silva e Wagner Luiz da Silva. O MST assumiu as mortes. "O que matamos não foram pessoas comuns, foram contratados para matar, pistoleiros violentos", afirmou, por telefone, o líder do movimento Jaime Amorim. "Evitamos um massacre, os pistoleiros iam matar todo mundo." Ele disse que outros dois sem-terra ficaram feridos, mas não foram apresentados para não serem detidos.Os dois presos em flagrante foram encaminhados para o presídio Juiz Plácido de Souza, em Caruaru. Nos seus depoimentos, ambos apontaram o foragido Romero como autor dos disparos.Acampados na Fazenda Consulta, os sem-terra foram despejados há cerca de 15 dias, por força de uma reintegração de posse concedida pela Justiça. Anteontem, voltaram ao local. No seu depoimento, Aluciano Ferreira dos Santos, que liderava o acampamento, disse que durante o despejo das famílias uma sem-terra filmou a ação e os seguranças, que estavam armados. Segundo ele, quando os sem-terra retornaram no sábado à Consulta, os seguranças tentaram reaver tal filme. Começou um bate-boca e um dos seguranças teria dado um soco na sua boca. Todos foram defendê-lo e teve início um tiroteio. Uma "testemunha-chave", segundo o delegado, contesta Aluciano. Disse que os sem-terra teriam disparado e somente dois seguranças estavam armados. Quando os quatro caíram, eles teriam recolhido as armas dos seguranças e também dos sem-terra e levado para um carro que dava suporte ao MST.Amorim tem outra versão. Ao considerar a situação "gravíssima", ele afirmou que esta foi a terceira investida dos seguranças sobre os acampados nas fazendas Consulta e Jabuticaba, onde também houve reintegração, mas cerca de 100 pessoas resistem. Está prevista para hoje, em Caruaru, uma reunião com o MST, Incra e Ouvidoria Agrária para tratar o assunto.

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