Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dois ministros e José Dirceu também são citados na delação

Conforme afirma Pessoa, Mercadante (Casa Civil) e Edinho (Comunicação) receberam dinheiro de caixa dois da empreiteira

Andreza Matais e Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2015 | 21h50

Brasília - O empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) documento que cita repasse de R$ 250 mil à campanha do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ao governo de São Paulo em 2010. A informação consta da planilha intitulada “pagamentos ao PT por caixa dois”, entregue durante os depoimentos prestados em delação premiada. 

Nas oitivas, o empreiteiro também teria citado o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, que foi tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014. Segundo a “GloboNews”, Pessoa detalhou repasses de R$ 7,5 milhões para ajudar a reelegera presidente Dilma Rousseff. 

No documento entregue pelo empresário, o pagamento a Mercadante aparece ao lado da informação “eleições de 2010”. Naquele ano, o petista concorreu, sem sucesso, ao cargo de governador de São Paulo. O ministro nega que sua campanha tenha recebido recursos não contabilizados. 

Na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mercadante declarou doações oficiais de empresas da holding UTC Participações, da qual Pessoa é acionista. Ambas foram de R$ 250 mil, mesmo valor descrito no documento entregue à PGR. A primeira contribuição oficial, do dia 29 de julho, foi feita pela Constran Construções. A segunda, de 27 de agosto, partiu da UTC Engenharia. Ambas feitas por meio de transferência eletrônica. 

O documento também descreve três pagamentos, no total de R$ 3,2 milhões, à JD Assessoria e Consultoria, do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão e investigado na Lava Jato. Os repasses, segundo a planilha, foram pactuados em “contrato de prestação de serviços com José Dirceu”. 

Defesa. Mercadante informou que desconhece o teor da delação e que as únicas doações feitas por empresas de Pessoa estão registradas na Justiça eleitoral. Ele explicou que a UTC fez uma única contribuição, no valor de R$ 250 mil, e que a Constran contribuiu com outros R$ 250 mil. 

Edinho afirmou, em nota, que esteve com Pessoa por três vezes para tratar de doações. Na primeira, o empreiteiro esteve no comitê da campanha de Dilma em Brasília. “O empresário, após o primeiro contato, organizou o fluxo de doações em três parcelas que totalizaram R$ 7,5 milhões”, afirmou. 

Edinho disse ainda que “jamais tratou de assuntos relacionados a qualquer empresa ou órgão público com o referido empresário". Ele acrescentou que "as contas da campanha presidencial de Dilma Rousseff foram auditadas e aprovadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”. / COLABORARAM CARLA ARAÚJO e VERA ROSA 

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