Dois mil sem-terra acampam no Incra de Marabá

A cidade de Marabá, no sul do Pará, começou a ficar agitada com a presença de dois mil trabalhadores sem terra e assentados, que começaram a montar acampamento desde este domingo na sede do Incra.O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), organizadores do protesto, alegam que a decisão foi tomada em razão do totalabandono das ações de reforma agrária na região por parte do governo federal.Eles garantem que ficarão no local por tempo indeterminado e avisaram: só negociamcom a presença em Marabá do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, edo presidente do Incra, Marcelo Rezende.A direção do órgão na região poderá pedir aajuda das Polícias Federal e Militar se houver vandalismo e quebra-quebra dentro doprédio. Há mais de três meses, justificam MST e Fetagri, as atividades do Incra estãopraticamente paradas no sul e sudeste do Pará.A região é uma das mais violentas do Brasil em relação à disputa pela posse da terra. A situação se agravou ainda mais com a decisão de entrega dos cargos, anunciada pelos atuais chefes de divisão do Incra em Marabá, na última sexta feita. Resultado: o órgão está sem direção.Os coordenadores do MST no Pará, Eurival Martins Carvalho, o Tôto, e da Fetagri, Raimundo Nonato Santos da Silva, informaram que nos 36 municípios da região existem hoje mais de 350 projetos de assentamento onde residem cerca de 60 mil famílias. "Na maioria desses assentamentos, as famílias enfrentam inúmeros problemas, comoestradas intrafegáveis, impedindo o escoamento da produção; alto índice de malária,forçando muitas famílias a abandonar seus lotes; presença de não clientes da reforma agrária sem qualquer controle do Incra."Além da difícil realidade dos assentados, existem ainda cerca de sete mil famílias acampadas ou ocupando mais de 60 fazendas improdutivas, esperando serem assentadas pelo Incra em 2003.Os movimentos sociais reivindicam a suspensão da medida provisória que impede a vistoria por dois anos em imóveis ocupados; a desapropriação de 60 fazendas ocupadas e o assentamento imediato de sete mil famílias sem terra; a desapropriaçãode fazendas na região onde foi constatado crime de trabalho escravo; a retirada dos nãoclientes de reforma agrária dos projetos de assentamento; a liberação de recursos paraconstrução de estradas, pagamento de créditos e garantia de assistência técnica paraos assentados.

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