Dois índios morrem durante ocupação de rodovia em MA

Uma onda de ocupações no Maranhão resultou na morte de duas pessoas esta semana. Duas fazendas, duas rodovias e o canteiro de obras de uma hidrelétrica foram ocupadas por trabalhadores sem-terra e índios esta semana. As rodovias já foram liberadas, mas os outros acampamentos ainda persistem. A ocupação mais violenta aconteceu em Arame, distante 600 quilômetros de São Luís. Índios guajajaras interditaram um trecho da MA-006, na altura da aldeia Cururu, para reclamar da assistência médica na região sudoeste do Maranhão. Moradores e comerciantes de Arame reagiram e atacaram os índios. O resultado foi dois guajajaras mortos. Outras duas pessoas e um terceiro índio ficaram feridos no confronto. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) organizou quatro das ocupações e estima-se que cerca de 800 famílias estão acampados em duas fazendas e no canteiro de obras da usina hidrelétricas de Estreito. A mobilização faz parte do movimento que os Sem-terra estão fazendo em todo o Brasil, conhecido como "abril vermelho". Nesta terça-feira, os sem-terra do Maranhão organizaram uma manifestação no centro de São Luís, para lembrar o massacre de Eldorado de Carajás. As primeiras ocupações aconteceram na semana passada quando 450 famílias ocuparam a fazenda Salgador, no município de Presidente Vargas, distante 176 quilômetros da capital. Esta semana, o MST e a Via Campesina fizeram mais duas ocupações. Na segunda-feira, 16, cerca de 500 trabalhadores e 150 índios ocuparam a BR-010, também conhecida como rodovia Belém-Brasília, no município de Estreito, localizado a 800 quilômetros de São Luís. No mesmo dia, outras 350 famílias ocuparam a fazenda São Benedito, com 350 famílias, em Governador Newton Belo, distante 300 quilômetros da capital. Em Estreito, os sem-terra pediam a suspensão da licença de instalação da Usina Hidrelétrica de Estreito, que está sendo construída na divisa entre Maranhão e Tocantins. A ocupação da rodovia durou 11 horas e resultou em uma longa fila de caminhões e carros pequenos, no trecho entre o Maranhão e Tocantins. No final da noite, desocuparam a rodovia, mas continuam acampados no canteiro de obras da usina.

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