Doença não é sentença, diz Dilma

Ministra rejeita ?plano B? e lembra que tratamento tem data para acabar

LEONENCIO NOSSA, MARCELO DE MORAES e ELDER OGLIARI, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deixou claro que voltará ao ritmo de campanha no início de setembro, quando se encerram suas sessões de quimioterapia para tratar um câncer no sistema linfático. "Enquanto eu estiver fazendo tratamento de quimioterapia, sabe, vai acontecer de tudo", disse ela, em Brasília, referindo-se a manifestações de aliados que buscam um candidato alternativo por causa de sua doença. "Mas o tratamento de quimioterapia é datado. No final de agosto, início de setembro, acabou." A ministra disse ainda que a doença "não é uma sentença".O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), chegou a dizer, em entrevista ao Estado, que "políticos não podem trabalhar sem plano B". O breve afastamento da ministra por problemas de saúde foi o suficiente para o ressurgimento de antigas teses na base, como as eventuais candidaturas à Presidência do deputado Antonio Palocci (PT-SP) e até de Aécio Neves, que aliados desejam que deixe o PSDB para ingressar no PMDB.O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu criticou ontem a estratégia adotada por setores do PT e da base governista de apoiar a ideia de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar um terceiro mandato. Em artigo publicado em seu blog, intitulado "Duas táticas?", Dirceu avalia que a insistência nesse movimento poderá inviabilizar as chances de vitória de Dilma Rousseff em 2010.No artigo, Dirceu defende abertamente a candidatura de Dilma à Presidência, mas sem fazer referência ao tratamento contra um câncer ao qual a ministra vem se submetendo e que tem fragilizado sua resistência.Em Porto Alegre, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que o PT não trabalha com um ?plano B? para as eleições presidenciais. "Nosso plano é o plano D, plano Dilma, que foi a pessoa indicada pelo presidente e que tem um enorme acolhimento no partido", afirmou, em evento na sede do Ministério Público do Rio Grande do Sul.Tarso reiterou que Lula não cogita concorrer a um terceiro mandato consecutivo. "Isso seria reformar casuisticamente a Constituição, como foi feito aquela vez com Fernando Henrique (Cardoso)'', lembrou, referindo-se à alteração da regra que permitiu a reeleição do então presidente em 1998.

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