Doença de Dilma deixa base aliada do governo cautelosa

PMDB diz que alianças para candidatura da ministra ficam em compasso de espera por seu quadro clínico

Ana Paula Scinocca, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2009 | 17h08

A divulgação do problema de saúde da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do PT para a disputa presidencial do ano que vem, gerou insegurança entre os aliados do governo. Surpreendidos com a notícia no sábado, procuraram adotar o tom da cautela, mas mostraram-se certos de que, pelo menos neste momento, as costuras para o palanque de 2010 ficam em compasso de espera. "Tudo vai depender da evolução do quadro clínico da ministra. Estamos agora torcendo para que ela se recupere e que isso não influencie em nada (as negociações e a candidatura de Dilma para 2010)", resumiu o presidente da Câmara e uma das principais lideranças do PMDB, o deputado Michel Temer (SP).

 

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O PMDB é o partido mais cobiçado para a formação do palanque para a disputa da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da sigla têm sido cortejados tanto pelo PT de Dilma e Lula quanto pelo PSDB, do governador de São Paulo e principal nome tucano na corrida ao Planalto, José Serra. Atualmente, o PT enfrenta problemas localizados para montar palanques com peemedebistas em importantes Estados, entre os quais estão os três principais colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Há também dificuldade na conclusão de aliança no Rio Grande do Sul, no Paraná, na Bahia e no Pará, segundo os próprios aliados do Planalto.

 

Embora o clima entre alguns aliados seja de insegurança, há quem aposte que a doença enfrentada por Dilma representará mudança "zero" nas articulações eleitorais de 2010. Líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), está entre os que apostam na tese de que tudo ficará como antes. "A ministra Dilma tem um problema pequeno, descoberto no início e que, daqui a seis meses, será passado. Isso (a divulgação do linfoma) só foi notícia porque ela é candidata à Presidência. Mas não muda nada", avaliou.

 

Para o senador, Dilma demonstrou coragem ao vir à público falar sobre sua doença. "A ministra vai vencer esse problema. Todo mundo sabe que é apenas mais um desafio e os médicos todos já deixaram claro que as chances de cura são superiores a 80%. Para nós não muda nada", insistiu.

 

Além dos divididos entre a cautela e a esperança, entre os aliados há também aqueles que apostam que o episódio servirá para "humanizar" Dilma - vista até então como uma dama de ferro - como política. Petistas e integrantes da base de apoio do governo destacaram a "serenidade" e a "força" de Dilma no momento em que falou sobre a doença em entrevista coletiva anteontem. "Ela mostrou que tem raça e coragem e o povo brasileiro se identifica com isso", resumiu um aliado que preferiu não se identificar.

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