Documentos são ‘descoberta arqueológica’

Os documentos revelados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha comprovam que as violações de direitos humanos eram uma “política de estado”, diz o ex-coordenador da Comissão da Verdade Paulo Sérgio Pinheiro, antigo integrante do conselho de assessores internacionais do comitê.

Jamil Chade/GENEBRA, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2016 | 06h57

“Os documentos comprovam em todas as suas linhas os métodos de tortura empregados pela ditadura e parecem uma continuação e um detalhamento do que está no relatório da Comissão Nacional da Verdade”, disse Pinheiro. Para ele, a grande contribuição do comitê é deixar claro que repressão, tortura, desaparecimentos, mortes ou execuções eram uma política de Estado, “numa cadeia de comando que ia dos generais-presidentes até o torturador dando choques elétricos”.

Na avaliação do ex-coordenador da comissão, os documentos “têm a qualidade das descobertas arqueológicas inesperadas que, de repente, trazem para o presente a voz das vítimas e a desumanidade, a brutalidade dos governos militares e dos seus torturadores, muita vez lotados no gabinete do ministro do Exército”.

Debate. Paulo Sérgio Pinheiro acredita ainda que a publicação dessa nova rodada de documentos da Cruz Vermelha poderá retomar o debate do relatório da Comissão da Verdade, publicado em dezembro de 2014.

O brasileiro confirma que o comitê foi “inflexível” e não liberou, em 2013 e 2014, os documentos que ainda estavam sob total sigilo em Genebra.

“De certa maneira, foi até melhor para que possamos reativar no presente o legado da ditadura e a obrigação do governo de impedir a continuidade da tortura, das chacinas, as execuções sumárias da Polícia Militar, a impunidade”, afirma o ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade. 

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