Documentos indicam que Petrobrás é espionada por agência americana

Papéis revelados pelo ex-agente Edward Snowden, mostrados pelo Fantástico, indicam que rede de computadores da empresa foi invadida pela NSA

Gabriel Manzano , O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2013 | 23h35

Documentos secretos em poder do ex-consultor de inteligência americano Edward Snowden indicam que a rede privada de computadores da Petrobrás é espionada pela Agencia Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. A informação foi publicada na noite deste domingo, 8, pelo Fantástico, da TV Globo.

A emissora disse ter tido acesso a documentos obtidos pelo agente - atualmente asilado na Rússia - entre os milhares vazados em junho passado. Os dados, concluiu a Globo, desmentem a alegação da NSA de que não faz espionagem com objetivos econômicos.

A reportagem traz dados, fichas e textos de aulas dadas pela NSA, em maio passado, no treinamento de agentes encarregados de espionar redes privadas de computadores. O nome da Petrobrás é um dos primeiros a aparecer nos slides mostrados nessas aulas - e reaparece outras vezes, à medida que o treinamento vai avançando. Nâo foram divulgados detalhes sobre que tipo de dados foram capturados pela agência americana.

Além dela, aparecem nesse material o Google, o Ministério de Relações Exteriores da França e a rede Swift - uma cooperativa que reúne milhares de bancos de 212 países.

A reportagem chamou a atenção para a importância dos campos de pré-sal da Petrobrás, avaliados em bilhões de dólares, e para o leilão do Campo de Libra, que serpa realizado em outubro - o maior da história da empresa. Observa que, se dados a respeito dos lotes foram captados, algum concorrente pode entrar na disputa com grande vantagem sobre os demais.

Procurada pelo Estado, a Petrobrás informou que não comentaria o assunto. Para a Globo, a agência americana NSA limitou-se a afirmar que não usa sua capacidade "para roubar beneficiar empresas americanas".

Nada muda. No Palácio do Planalto, a informação é de que a reportagem do Fantástico não muda o quadro em relação à cobrança que a presidente Dilma Rousseff fez ao presidente Barack Obama, dos Estados Unidos. De acordo com os esclarecimentos do Planalto, a presidente continua aguardando as explicações que o colega americano prometeu dar até quarta-feira.

Nos bastidores do governo admite-se que a presidente Dilma já desconfiava de espionagem na área do pré-sal. Tanto que no início da semana ela chegou a comentar com auxiliares, que um dos alvos potenciais da espionagem seria a reserva de petróleo do pré-sal.

Na sexta-feira, durante a reunião do G-20 em São Petersburgo, na Rússia, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso enfático no qual deu um "ultimato" a Obama e falou da "indignação pessoal e do conjunto do País" a respeito da espionagem de ligações telefônicas e mensagens entre o Palácio do Planalto e ministros e auxiliares diretos da presidente - denúncia feita também pelo Fantástico, na semana passada.

Dilma disse esperar que até quarta-feira ele esclareça "tudo" a respeito. A cobrança foi acompanhada de uma ameaça - a de cancelar a visita de Estado que Dilma tem agendada a Washington, em outubro.

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