Documento passou por suspeito, diz gerente da Petrobras

O gerente de Segurança Empresarial da Petrobras, Pedro Aramis de Lima Arruda, admitiu nesta quarta-feira, em depoimento à CPI mista da estatal, que um de dois documentos sigilosos da estatal passou pelas mãos do empresário Julio Faerman, suspeito de ter pagado propinas a funcionários da companhia para obter contratos bilionários de locação para a SBM.

RICARDO BRITO, Estadão Conteúdo

20 de agosto de 2014 | 19h57

Uma investigação interna da Petrobras descobriu que dois documentos reservados - o plano diretor de desenvolvimento integrado do pré-sal na Bacia de Santos e a contratação de uma empresa concorrente da SBM - foram vazados a partir de senhas pessoais do ex-diretor da Área Internacional Jorge Zelada. Os dois arquivos, segundo Aramis, apareceram na sede da SBM na Holanda.

Em depoimento à CPI mista há duas semanas, o próprio Zelada afirmou que não passou suas senhas pessoais "para ninguém". Ele disse que jamais entregou documentos da estatal para pessoas estranhas ao corpo da companhia. Aramis de Lima disse que "lamentavelmente" a investigação interna não conseguiu comprovar o rastreamento para saber como os documentos sigilosos foram parar em um computador da empresa holandesa. Segundo ele, os computadores que poderiam indicar de onde partiram os arquivos foram substituídos.

"O que nós conseguimos evidenciar (na investigação interna) foi que os documentos foram gerados a partir da chave do doutor Zelada", afirmou o gerente de Segurança Empresarial, ao concordar com a afirmação do líder do PPS, Rubens Bueno (PR), de que é "grave" o vazamento dessas informações.

Assim como disse à CPI da Petrobras exclusiva do Senado no início de junho, Aramis de Lima reafirmou que a conclusão da investigação interna da Petrobras não comprovou a existência de pagamentos indevidos a funcionários da estatal. Essas apurações começaram em fevereiro deste ano, após reportagem do jornal Valor Econômico. "O resultado final da comissão é que a comissão não identificou qualquer tipo de pagamento de propina a empregados da Petrobras. Não identificamos nada que fosse consistente", disse. Questionado por Rubens Bueno se não restou nenhuma dúvida sobre a suspeita de propina, o gerente disse que não poderia responder a questão e reafirmou: "Nada foi identificado."

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