Documento do PT sobre BC expressa pensamento de Lula, diz tucano

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse à Agência Estado que o documento reservado do PT sobre Conjuntura, Tática e Política de Alianças, que defende intervenção no Banco Central, "é o Lula fora o armário". "Se Lula pudesse sair do armário, ele diria exatamente isso", afirmou. Virgílio disse que a política econômica ortodoxa adotada pelo atual governo ocorreu por uma necessidade de adaptação, mas que, se houver algum sinal de perigo político, poderá ser abandonada. "Eu não sei até que ponto a conversão deles é definitiva", disse Virgílio.O líder tucano disse acreditar que o governo vai, mais para frente, conseguir enquadrar o PT e evitar que o programa econômico adotado na campanha de Lula seja o preconizado no documento divulgado com exclusividade na edição desta quinta-feira de O Estado de S. Paulo. Para Virgílio, o instrumento de pressão do governo sobre o PT serão os cargos distribuídos para militantes. CompromissoO líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, afirmou que a autonomia operacional do Banco Central é um compromisso assumido e respeitado pelo presidente Lula. Mercadante disse não ter lido o material, mas destacou que o debate é natural na política. "É democrático que todo e qualquer partido discuta essa questão", afirmou. "Mas o presidente Lula se comprometeu a respeitar o compromisso de garantir a autonomia operacional do BC".Perguntado se esse compromisso do presidente valeria para um eventual segundo mandato, Mercadante respondeu: "A autonomia é ponto fundamental da credibilidade da política monetária. Não é rompendo esse mecanismo que se vai acabar com o juro alto no Brasil. A autonomia tem que ser preservada", disse, acrescentando que o problema da taxa básica elevada é decorrência da grande dívida pública. "O governo tem trabalhado no sentido de reduzir essa dívida com um forte esforço fiscal e tem conseguido, o que permitiu o juro sair de 26,5% no início do governo para 16,5% agora", afirmou.Mercadante afirmou ainda que o debate sobre a condução da política monetária é importante e informou que no próximo dia 30 a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado fará uma discussão com todo o Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o tema.

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