Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

'Documento do PSDB é fraco e cheio de platitudes', diz economista tucana

Para Elena Landau, 'era melhor não ter feito nada'; ela diz, ainda, que nenhum economista ligado ao PSDB foi consultado para a formulação do texto

Entrevista com

Elena Landau, economista tucana e ex-presidente do conselho da Eletrobrás

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 19h03

Ex-presidente do conselho da Eletrobrás e ex-diretora de privatização do BNDES na era Fernando Henrique Cardoso, a economista Elena Landau é considerada uma das principais referências do PSDB no setor. Nessa entrevista ao Estado/Broadcast, ela fez duras críticas às diretrizes do novo programa partidário do partido apresentado nessa terça-feira, 28, em Brasília pelo presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal. 

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 "Quando cheguei na frase 'nem estado mínimo, nem máximo, estado musculoso', quase parei ali", disse a economista. Elena disse, ainda, que os economistas ligados ao PSDB não foram consultados previamente pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), braço de formulação política da legenda responsável por formular o documento.

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Leia a entrevista na íntegra. 

O que achou do documento com as diretrizes do programa do PSDB?

Quando cheguei  na frase 'nem estado mínimo, nem máximo, estado musculoso', quase parei ali. Não é possível um documento dessa responsabilidade como uma frase dessa. Não acreditei. É cheio de platitudes, um discurso velho. Como pode um partido cuja a marca é a qualidade dos seus quadros técnicos e economistas apresentar um trabalho tão fraco como esse? Eu, Edmar (Bacha), Persio (Arida) acabamos de fazer um manifesto com muito mais ideias de debate para o futuro. Esse documento é uma coisa atrasada.

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Houve uma consulta prévia do Instituto Teotônio Vilela (ITV) aos economistas ligados ao partido?

Ninguém foi ouvido. Nenhum de nós, economistas do partido, sabíamos que esse documento estava sendo feito. É um documento do José Aníbal (presidente do ITV). Ponto. Não traz nenhuma novidade e proposição.

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Esperava que o PSDB fizesse um debate mais ampliado e cuidadoso nesse momento delicado que vive o partido?

Cansei de esperar alguma coisa. A gente esperava uma refundação, não veio. A gente espera uma posição firme sobre reforma da previdência, que é uma coisa básica de qualquer governo, não veio. Aparentemente o ITV fez uma série de seminários, mas nenhuma dos quadros históricos do partido foi convidado. Para que um documento desse em uma hora dessa? Vai ter uma convenção no dia 9 para debater o futuro do partido. E para que entregar ao presidente  Michel Temer? Isso é discutido para dentro...

Na questão da Previdência, faltou uma defesa mais ousada?

Falta ousadia em tudo. Essa questão de 'estado que queremos' está ultrapassada. É o estado que podemos. Para fazer uma documento, precisa de uma coisa mais forte. Era melhor não ter feito nada.                   

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